Passando a Borracha

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por Fernando Cássio, em janeiro de 2016

Parece uma tarefa fácil? Antes de tudo confesso que gostaria de ter nascido com o dom da inventividade. Desde criança carrego este sonho. Profissão, inventor. Nada mais original e distante do conturbado e repetitivo mundo das mesmices. Contudo, também observo a pressa dos concorrentes.  Quase tudo já foi criado. Apenas uma ideia original e singular ainda não foi colocada em prática por ninguém. A borracha! A borracha  que apaga as amarguras e as tristezas, assim como a borracha que apaga as tatuagens. Ambas terão sucesso garantindo, quando estiverem em franca produção e à disposição de uma sociedade corroída pelos vícios do modismo e pela maré de azar, que aflige sem piedade este país. 2015 deveria ser apagado da história contemporânea. E os possíveis desalentos também deveriam ser formatados. Foi o ano incapacitante e inoperante! Uma paralisia geral! Uma ziquizira que contaminou, alcançando indistintamente todas as classes e os setores. Quem vivenciou, de perto, perdeu algo. No mínimo, perdemos a dignidade nacional! Tão ruim e maldoso, que revolveu invadir, sem permissão, transfixando o ano seguinte, deixando uma densidade negativa instalada. Porém, essa praga generalizada que tomou posse dos capítulos político, social  e econômico e do enredo Brasil têm poder destrutivo maior e seu alcance vai mais além que um  baixo astral momentâneo.

É fruto do descontrole, da ingerência, das atitudes descabidas e dos comportamentos antissociais que se perduram, perturbam e evoluem. Um contexto desmoronante, que promove o afrouxamento do caráter  e que aniquila o ordenamento público. Uma pátria em declínio moral, com incertezas, sem inibição, arrastando tudo e todos. O ímã da decadência. Uma nação de cidadãos encalacrados e distantes dos princípios. Quem ainda não foi atingindo ou prejudicado não está imune. Não se iluda! As mazelas estão caçando novos adeptos. Os requisitos são incontáveis. Um povo com aptidão natural para conviver e sofrer com as deficiências, públicas e privadas, que infestam todos os recantos. Neste exato momento, não há nada que ofereça credibilidade ou confiança. Nem mesmo prezamos pela segurança, nas derivadas formas, ou prezamos pela governabilidade. Não há pacto! A violência, sem combate e sem uma política nacional, se associa a outros eventos desastrosos, interferindo na paz e acrescentando uma instabilidade psíquica, um processo mental continuado, da perfeita ausência do Estado e do sentimento de cada um por si. O cinismo e a incompetência estão fazendo dueto no palco principal, onde tudo passou a ser teatral, sem simulações ou disfarces. De cara lavada, estampada e gritante! Parece excesso de pessimismo? Talvez! Faça uma breve avaliação do cotidiano. Tente localizar algo que inspire confiança, credibilidade ou honestidade. Escolas, hospitais, qualquer tipo de profissional ou serviço, produtos, legislações, homens e ações públicas, etc.. Nada está imune no Brasil! Talvez, ninguém ou espécie alguma tenha a capacidade suficiente. Capacidade de carregar crenças positivas e um grau mínimo de legitimidade, para estabelecer um novo ordenamento. Ou manter-se ileso. Basicamente uma sociedade sem antídoto! Sem liderança e sem direcionamentos. Uma sensação de conspiração geral! Um ambiente marcado e assentado pela falta de atributos e pela ausência de zelo. Uma época onde a esperteza, a incapacidade e a inaptidão dominam e sobrepõem.  Quando os desejos individuais sobrepõem à coletividade e o bom senso. Um descumprimento crescente e passivo que ilude. Uma ganancia, apimentada pela agressividade, pelo desrespeito e pela impaciência.  Que degenera, falsifica e gradativamente altera os paradigmas, recriando e derivando para uma construção irregular de práticas diárias às avessas. Demonstrando e firmando apenas vestígios de ética. Uma marcha e jornada que acrescenta um novo formato de convivência, relacionamento e um novo modelo de sociedade.

Mas, e o futuro promissor? Que futuro! Quando deixamos germinar, sem cuidado, a semente da instabilidade, a  corrente do mau e a geração da colheita maldita, estamos construindo e cultivando uma nova ordem através do caos. Porque estamos transformando essa nação em rabiscos? Onde estará  a borracha e onde estarão os insurgentes…..

DILMA PESSOA JURÍDICA CONTRA DILMA PESSOA FÍSICA

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por Fernando Cássio, em 22/12/2015

Passaremos a régua no ano de 2015. O que frutificou? Nada! Provavelmente nada, senão múltiplas prisões e acordos de delação. Um governo alicerçado por seguidas manchetes policiais e malabarismo em vários setores. Visões e exemplos negativos de um país incompetente, envolto na criminalidade e nas ilicitudes. Fatos que passaram a ser corriqueiros, sobrepondo atos de avanços. Popularizaram o criminoso político e o caçador de bruxas, na imagem personalística do juiz salvador. Popularizam a imagem de um governo incapaz, criado apenas para a autodefesa das próprias mazelas. Que nasceu hesitante e duvidoso e que se mantém pelo movimento de seguidas descobertas investigativas, especializando-se em projetar gestores que atuam, simultaneamente, nos bastidores do crime e nas formalidades do poder central. Cargos, órgãos e posturas arranhando a confiança e a imagem do Estado. Guiando um país desgovernado, que continua descendo a ladeira. Uma autofagia legítima ou ilegítima? Uma leniência coletiva? Talvez, os brasileiros, a ética e a moralidade já identificaram a fatalidade que se meteram e o iminente desastre que alcançará toda a nação. Neste momento, estamos percorrendo uma descida íngreme que pegou embalo. Um constrangimento geral. Mas, é chegada a hora das previsões e dos gurus. Neste quesito, qualquer brasileiro, em sã consciência, passou a ter o dom da premonição. 2016 já está contaminado e apodrecido. Apenas uma pessoa continua confiante. Não sabemos se compreendem os pensamentos de uma pessoa jurídica ou física…….

MANIFESTAÇÕES DO INCONSCIENTE

por Fernando Cássio, em 14/11/2015

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Não duvidem os políticos! E não duvidem deles também! No inconsciente de cada brasileiro, seja homem, mulher ou criança, evolui ativa e progressivamente a sensação da desordem e da desonestidade encampando às organizações públicas e a sociedade brasileira. Uma sensação de roubo e do conluio de interesses pessoais sobrepondo aos interesses coletivos dessa nação. Uma perfeita visão captada na mistura leviana, noticiada pelas múltiplas relações danosas entre representantes públicos e fornecedores, que se aproveitam do espaço do poder para desviar vultosos recursos públicos. Não há dúvida quanto ao comportamento desvirtuoso e a perda crescente da confiança, onde a crença apenas pontua mais ilicitudes e mais atos de incompetência, simultaneamente. Cresce um senso crítico apurado, de uma população que aprendeu a cobrar pelos seus direitos, pressionada pelas dificuldades sociais e econômicas do seu próprio cotidiano. Apurada pela deficiência transparente das áreas e atitudes dos governos. Instala-se a ideia do roubo generalizado sem qualquer contra oferta de serviços ou preocupação do dolo. Sem cuidado, qualidade ou intenção do fazer. Afloram mais notícias e mais fatos que colaboram para reafirmar esse comportamento anticívico. Algo que não é estancável! Deploráveis exemplos de convivências ditas republicanas. Tudo culmina com uma sugestiva imagem da lama escorrendo de dentro do país, fruto de tantas outras incompetências públicas generalizadas. Mas, antes que o controle judicial e o Estado de Direito (já arranhados) sejam pressionados para manter o equilíbrio e o retorno à ordem, é importante ressaltar que o julgamento da consciência popular já sentenciou este cenário. E algo está por vir, pois nada se mantém eternamente ou sobrevive apenas nas profundezas do inconsciente…

Crônica social: O governo é ruim! E aí?

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por Fernando Cássio, em outubro de 2015

Nem tudo são lástimas. Nem tudo é caos. Vale relembrar a máxima de Abraham Lincoln: “a democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo”. Parece que a sociedade aprendeu a exercitar a democracia, com a alta dose da radiação de negligência pública e desgovernabilidade. E parece que os desacertos governamentais são didáticos. Essa ingovernabilidade abrangente trouxe maior participação, atenção e compromisso da sociedade brasileira. O povo deixou de ser apático! Redescobrimos que não existem representantes sem representados. E que não podemos deixar uma procuração com poderes ilimitados, na hipótese da defesa dos nossos direitos, sem que haja obrigações acessórias e sem que haja legitimidade nessas representações.  Ficamos mais críticos e ampliamos o senso coletivo. Um insight sobre o conjunto de artimanhas que produzem efeitos negativos sobre nós. Passamos a não aceitar castas em detrimento da maioria. Passamos a ter maior consciência sobre as movimentações políticas e maior cuidado com o gerenciamento econômico e financeiro do país. Ressuscitamos o medo da inflação e o controle sobre os gastos de qualquer natureza.

As dificuldades instaladas alcançaram nossos lares, indistintamente, inclusive pela violência que cerca, retirando o véu da falácia que garantia uma proteção fantasiada pelos disfarces midiáticos financiados. Empurrando todos nós para uma única realidade de pré-falência social e caos institucional, provocando um amadurecimento repentino. Passamos a abordar estes temas nas redes sociais, cutucando os descaminhos, expondo segmentos e atos, obrigando reflexões e desagravos. Passamos a delatar crimes e delitos pela impaciência de enxergar erros repetitivos e contumazes. Diante de tanta negligência e corrupção, resolvemos reiterar os princípios baseados na ética e  moral, fundamentais para a coesão social. E aí, forma-se, instintivamente, um elo invisível e duradouro que fortalece a própria sociedade, projetando, ao mesmo tempo, uma ruptura com as representações formais, pela  descrença e pela desconfiança. Passamos a cultivar a ciência política, entendendo conceitos e articulando essa prática no cotidiano. Passamos a ser mais incrédulos quanto aos discursos vazios e quanto às posturas públicas. Passamos a cobrar e exigir nossos direitos, em todos os níveis.

Mas, precisamos ainda entender que não existe uma associação entre o crédito social, disponibilizado pelos governos, através da oferta de serviços,  com  a obrigação do pagamento dessa dívida através do voto, permanecendo, como escravos, na dependência, nos currais e no faturamento eleitoral.   Pelo contrário, precisamos pressionar, ainda mais, os governos para que pratiquem resultados com eficiência e envergadura técnica, atendendo às necessidades desse povo. Assim, nem tudo está perdido! A sociedade não se intimidou e condensa uma nova mentalidade. E uma nova feição, mais altruísta, para o homem público. Tudo isto sugere um novo refazer coletivo. Uma marcha na direção oposta.  Quem sabe não estaria florescendo um novo Brasil. Uma nação unificada e com igualdade para todos, assim como sugere Lincoln…..

Crônica social: O mundo público do vale quanto pesa

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por Fernando Cássio, em setembro de 2015

Essa hipótese está intrinsecamente ligada ao mundo público, na vasta imensidão das vaidades que sobrepõem o exercício da administração científica e das qualidades administrativas. Isto não quer dizer que o mundo privado está imune!

Enquanto vamos criando e recriando regras internas, pressionado àqueles que estão lotados na sede das instituições, ao mesmo tempo, este mesmo público, sobrevive, constatando diariamente a falta de tratamento e julgamento equânime para a maioria dos casos corporativos. São estranhas decisões desbalanceadas que vão desqualificando as atuações e a coesão, atingindo, em cheio, os ânimos profissionais, distanciando, inclusive, a meritocracia já disfarçada, o respeito profissional e as situações individualizadas do capital humano, que coexistem no corpo técnico.  Entre elas, está a possibilidade da cessão funcional. Este evento premia alguns, porém não esclarece como alcançar os tais atributos para oportunamente se tornar um favorecido. Aos premiados, adiciona-se um suplemento salarial, outros ganhos indiretos e o selo da diferença funcional. O erro não está na alforria, nem mesmo no desejo compartilhado por todos. Reside no tratamento desigual, na utilização de um processo informal de escolha, emitindo  transferências ao sabor das conveniências e dos interesses [nem sempre coletivos], sem critérios e de livre arbítrio. Reside também na consequente diferenciação  imputando o conjunto de obrigações para quem fica e não possui a “dita”  marca da confiança, criando facilidades para quem se livra das correntes. Evidencia, simultaneamente,  desequilíbrio na tomada de decisão e favorecimentos, em um mesmo ambiente de trabalho. Vale exemplificar algumas disparidades: (i) não haverá mais necessidade de justificar, mensalmente, os contadores de segundos nos registros de frequência, que não julga produtividade, nem produção institucional; (ii) não haverá desconto salarial por atrasos e faltas, assim como não se apropria pagamento pelas horas adicionais, de noites em claro, visando a produção de projetos  ou créditos adicionais em função do desempenho técnico na excepcional qualidade das entregas dos produtos; (iii) não haverá qualquer obrigação no monitoramento funcional ou gerencial, nem mesmo entre o órgão cedente e o cessionário, ou qualquer consequência politico-institucional dessa conexão, senão apenas o despropósito na movimentação contábil da despesa,  como se existissem outras fontes de receitas, senão apenas mais uma operação circunstanciada [de entrada e saída] na mesma conta única.

Assim, vivenciamos um cenário perfeitamente parcial, injusto, onde há desproporcionalidade entre “direitos e vantagens” para alguns e “os rigores da lei” para a maioria. Onde há escolhidos e preteridos. Um cenário onde não se valoriza, não se guarda e não se julga por méritos técnicos e profissionais e não se valoriza as experiências e os feitos incomuns. Longe disso! Enxerga-se exclusivamente as relações e conexões  junto ao poder. Um ambiente favorável a proteger a quem deseja jogar o jogo desleal, induzindo para uma aceitação de artimanhas como única forma de garantir o desenvolvimento e o crescimento particular.  Neste contexto, reduz a participação e o público disponível. Destaca-se, assim, a possibilidade dos erros e a complacência nas atitudes, quando as circunstâncias do cotidiano público exigem deliberações baseados na consciência exclusiva de cada gestor, reproduzindo um modelo gerencial sem padrão. Cria-se, dessa forma, um mundo disfarçado, que produz estragos, visíveis aos olhares cientes daqueles que estão aptos às próximas injustiças ou que já saborearam a corrosiva prática. Ativa-se um ambiente frustrante e uma agressão muda, no clima organizacional propenso às doenças ocupacionais.  Sem dúvida, um lugar que requer evolução…

Crônica social: Fazendo Mais com Menos

mais com menospor Fernando Cássio, em setembro de 2015

O jeitinho brasileiro assumiu mais uma variante. Agora os videntes profetizam tempos de mudanças e tempos de novos modismos. É chegado o momento de repensar a forma como os governos estão atuando. Afinal, quase tudo deu errado! Conseguimos criar uma doença nacional cujos efeitos são de uma “poli-crise”! Ora, há quase 13 anos estamos praticando o mantra do consumo, sem que exista preocupação com a escassez da fonte geradora de recursos, sem que haja controle dos gastos públicos, inclusive concorrendo com multiplicadas ilicitudes, além de tantas outras pressões nacionais em função dos próprios desacertos do governo. Aplica-se, ainda, a desatenção sobre vários aspectos estruturais – econômicos, políticos e administrativos, que foram esquecidos, propositalmente ou não, diferente de qualquer país sério. Saímos do modelo traçado e planejado, baseado na administração gerencial e científica, para simplesmente fazer uso da riqueza nacional, no vácuo momentâneo dos ventos favoráveis que sopravam em todos os continentes. Ao consumirmos, desenfreadamente, sem critérios, no intuito teatral do encantamento, esquecemos dos princípios. Eis que findaram as fontes, as promessas  e a paciência do povo.

Vivemos um dualismo secular sobre Estado e Governo. Que coexistem, simultaneamente, num mesmo palco, com distintos interesses. Como se corpo e mente destoassem entre descompassos gerenciais e descoordenações motoras. O Estado, a máquina pública, se curva e se escraviza diante das ideologias passageiras. Grupos que enveredam por modificar e quebrar a continuidade das ações e projetos, criando ou recriando efeitos aparentes de mudanças, sem que haja qualquer transformação mais profunda. Isto acontece, seguidamente,  em vários segmentos do ambiente público. Paralisam e alteram o movimento da estrutura pública para imprimir um novo ritmo, adequado às características pessoais do novo administrador, num marketing político duvidoso, inserindo promessas midiáticas e pretensos modelos administrativos, sem conexão ou vínculos.  Infelizmente, a massa de eleitores passa a ser a massa de manobra que crê em milagrosas alternativas sem vínculos reais e sem princípios metodológicos. E, num segundo tempo, a massa de gestores públicos, que  terá a missão singular de defender as possíveis desconexões e arestas.

Imagine uma empresa de construção de aeronaves, alterando os processos decisórios e gerencias, a cada ciclo, a critério da vontade do grupo majoritário de plantão. Claro que seria um perfeito desastre [aéreo]. Jamais haveria plenitude e eficiência operacional! Quiçá, não haveria produtividade, profissionalismo e  produção! Do outro lado da cerca reside o ambiente público, que padece desse mal. Um conglomerado empresarial que direciona políticas para a saúde, segurança, economia, etc. e que também gerencia, executa e oferta serviços à sociedade. Mantêm delegacias, hospitais, escolas e determinam regras que refletem em impostos, arrecadação e na própria coesão social. Tamanha capacidade exigiria igual profissionalismo e seriedade. Mas, será que essa assertiva é verdadeira? Claro que não! A realidade demonstra o contrário.

A ingerência formal ou a má gerência do ambiente público reflete, em suma, num país perseguido pela histórica arte do improviso. Quanto mais improvisado e carente de controles, será mais susceptível aos grupos que ocupam o poder.  Um defeito que ocupa as entranhas das instituições. E este mesmo defeito, de alguma forma, está entrelaçado nas atuações dos gestores e dos cidadãos. Na falta de zelo, civismo e patriotismo. Na ausência de uma cultura nacionalista que confirma e zela pela conduta proba. Uma falta de qualidade em quase tudo que é produzido para ou pelo mundo público. Erros recorrentes e medidas paliativas repetitivas. Atividades organizacionais sem processos preestabelecidos ou formalizados, onde a burocracia vence os métodos e os controles. Tecnologias que não funcionam ou que exigem eternas manutenções. Fiscalizações e auditagens que nem alcançam os mais exacerbados excessos. Obras que perdem a validade e se deterioram bem antes do tempo mínimo de uso, quando não se destroem antes mesmo de serem inauguradas. Comunga-se com um Estado lento e oneroso, enquanto onera todos nós. Assim, entre tantos despropósitos, o imperativo é colher resultados em nome de alguns e caso haja sobra, então colhe-se também em nome do povo. Neste sentido, há uma luta ingrata. Como transformar o Estado Brasileiro em uma organização mais profissional, imparcial, eficiente e menos dependente dos desejos políticos temporais? Como criar condições para buscar resultados menos influenciados por fornecedores e com maior credibilidade junto à sociedade? Como envidar autonomia ao Estado e reduzir a dominação exercida pelos governos? Como separar competências de Estado e trata-las como ações continuadas e obrigatórias, sem que haja interferências? Onde encontrar as sustentações necessárias para direcionar iniciativas e produzir no intuito de fazer e fazer bem feito? E finalmente, quem sabe, não é chegada a hora de pensar e conceber uma “Certificação para Funcionamento” ou alvará, alcançando qualquer instituição ou instância pública,  no intuito de observar a existência  indispensável de um  pacote mínimo de habilidades técnicas e tecnológicas, atuando de forma conjunta e integrada, atendendo às funções administrativas  de planejar, comandar, organizar, coordenar, avaliar, supervisionar e controlar.

Enquanto isto, o eficiente jeitinho brasileiro rapidamente remodela o sentido das coisas, recriando a necessidade de se pensar diferente, novamente esquecendo os princípios – inclusive de planejamento e gestão, além dos redesenhos para indicar novas direções e rumos. Quem sabe, não seria conveniente utilizar palavras mágicas de efeito, como governança e inovação, como uma dupla sertaneja que não desafina. Consideram que a urgência incita soluções rápidas, de baixo custo, sem maiores conexões estratégicas e baixo valor agregado. Em suma, mais uma forma teatral de resolver crises. Mas, neste cenário de guerra, onde não há mais perspectivas favoráveis, onde não há mais recursos disponíveis, onde reina a baixa credibilidade e a falta de legitimidade, quem teria a coragem de propor outra forma de encarar estes problemas? Por onde estariam os tecnocratas, esquecidos nos porões dos escritórios públicos, que teimosamente insistiam por enveredar pela administração científica?  Quem teria a coragem de dobrar o punho da camisa, convidando os pares para reconstruir o Estado Brasileiro e a Nação? Seguramente, seria um momento importante para avaliar os últimos acontecimentos públicos e verificar as verdades embutidas no slogan “fazer mais com menos”. Uma parada obrigatória para comparar o comportamento e os resultados dos administradores e da própria  administração pública. Refletir sobre o tempo e sobre o consumo de milhões de recursos financeiros que produziram impactos insignificantes. Refletir sobre a monotonia que paralisa e adoece a máquina,  desencorajando a agressividade por  inovações e mudanças. Faça uma rápida constatação: quais processos públicos, criados nos últimos 05 ou 10 anos, projetaram ganhos ou vantagens para você? Estes seriam, talvez,  as dúvidas existenciais, nas diversas instâncias e pensamentos. E algo me diz que, matematicamente, nessa lógica, sempre dará menos…..

Crônica social: Fincando bandeiras femininas no inóspito mundo alfa

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por Fernando Cássio, em agosto de 2015

De partida, eu declaro este ato de loucura! Vou tentar enveredar pelo universo feminino, sem sair machucado. Sem, sequer, oferecer intenções negativas ou qualquer  tentativa de aproveitamento alheio. Longe de mim! Por certo, uma audácia, no intuito de trilhar pelo desconhecido, no espaço de resistência, perspicácia e senso de observação, característico do subconsciente e da alma da mulher, onde estes  atributos funcionam com competência singular. Serão lampejos e conjecturas, através do olhar de quem, na essência, detém um DNA com sangue opressor, Idêntico a qualquer macho alfa. E asseguro que este ranço agressivo é latente. Apresenta-se, em maior ou menor intensidade, na medida em que se contraria o senso de propriedade que cada masculino carrega. Um ato instantâneo de ataque e defesa! Uma intolerância contida e pacificada pela urbanidade e coesão social, mas que, por diversas vezes, se manifesta de forma incontida, nos gestos grotescos ou atitudes subliminares,  expondo ou trazendo à tona um nível de violência,  agressividade, descortesia e brutalidade, aparentemente abafado na hereditariedade e escondido pelo esforço da racionalidade. A concepção masculina projeta um senso de dominação e poder, sobre territórios – reais e virtuais, demarcando quadrantes geográficos e uma prole. É selvagem e nato! Um jeito ancestral, idêntico aos outros animais. Não custa lembrar, porém, que a mulher também assegura um instinto selvagem de proteção aos seus. Diga-se, de passagem, que essa proteção circundava a família e basicamente os filhos, quando também foi potencializada para os seus objetivos. A contraparte passou a lutar e ferozmente se posicionar na sociedade. Mas, segundo Simone de Beauvoir  “a representação do mundo é obra dos homens; eles o descrevem a partir de seu próprio ponto de vista”.

Construir apontamentos sobre o sexo oposto, na opinião reversa, já seria um contraponto paradoxal. Um contraste impetuoso. Quase uma antítese, na ênfase conflitante das diferenças e semelhanças entre homens e mulheres. Entre machos e fêmeas. Uma perigosa missão, pois ao errar na dosagem, seguramente os confrontos estarão presentes. Na contramão da Lei Maria da Penha, do movimento machista ou do movimento feminista. Que o senso masculino de Deus me ajude!  Neste aspecto, fica evidenciado o pedido de licença, com cara de habeas corpus preventivo, relaxando possivelmente o senso criativo, além das garantias tradicionais contra ameaças futuras.  Espero não cair numa cilada ou esparrela, enfeitiçado sensorialmente pelo sexto sentido, ou pior, contaminado pelos defeitos intrauterino que carregamos.

Será um mergulho no escuro, sem mapa ou GPS, na imensidão dos cromossomos XX, com roteiro dirigido para encontrar, basicamente, dois destinos. Uma análise interior, na introspecção subjetiva sobre suas preocupações, medos e obstinações, na busca pelo fortalecimento da própria alma. A outra trilha ou face refere-se ao ambiente social, demonstrando como as pressões e os impactos do cotidiano, muitas vezes sutis, movimentam e paralisam a própria existência e o progresso da mulher, de forma coletiva e individual, implicando, porém, em contrapartida, na geração de uma força motriz, uma alternativa energética, que é utilizada e reutilizada por elas, impulsionando sua rebeldia no sentido contrário às convenções e costumes enferrujados, impondo uma marcha e a envergadura evolutiva.  Observa-se uma realidade cruel e um nível de violência ativo e latente, como um campo de batalha, transformando pessoas em vítimas, através de diversas abordagens diárias, compreendendo a falta de cortesia, a humilhação, o assédio, a exploração, a dor  e até mesmo a morte.  Entretanto, estes estímulos sociais negativos, imprimem reações, ao longo da escala do tempo, unificando e aperfeiçoando convicções, propósitos e o brio feminino. Ativa um processo quase conspiratório, um ideário, e ao mesmo tempo, o triunfo, quando se verifica as conquistas e avanços, mesmo entre tantas baixas registradas.

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Acredito que as imperfeições humanas foram deixadas de propósito, como um caldo em cozimento, mantido aceso em fogo brando, para favorecer a necessária evolução do homo sapiens. Seria enfadonho um mundo perfeito, com seres igualmente estáveis. Teoricamente um paraíso sem manchetes, aparentemente útil apenas à ficção. Quiçá,  um mundo de ausências criativas! Sem direito aos sonhos, as ambições e teimas.  Chato! Um purismo incompatível com a inquietude das almas instáveis, originalmente pecadoras. A partir dessa hipótese,  o mundo real é provocativo, por natureza. Buscamos o aprimoramento, na constante efervescência das deficiências – entre medos e a busca da felicidade.  Embora, supostamente, o modelo de negócio, homem e mulher, sugira um perfeito encaixe, em função da divina construção celestial, cuja formação compõe uma única espécie, há fortes indícios que determinam uma deformidade existencial, onde as dificuldades interpessoais sacodem o convívio, com aparentes conflitos, inclusive de ocupação de espaços. Saímos de fábrica com os mesmos acessórios, estrutura, intelecto e recursos, mas falhamos na comunicação e na compreensão. O homem, primeira criação de Deus, tomou posse  e trouxe para si a hegemonia das coisas, apoderando-se desse direito, sem anuência da sua companheira de costela. Sabe-se lá até onde a estrutura genética influenciou essa supremacia psicológica, trazida até os dias atuais. Além disso, há um desequilíbrio ou empenamento que mantém uma intolerância para enxergarmos uns aos outros. Porém, Deus não erraria exatamente na sua mais ousada invenção! Essa seria, então, a comprovação da lógica da imperfeição necessária. Aliás, espera-se ansiosamente o surgimento de algo que leve a cabo as nossas diferenças. Que reduza a ausência da compreensão e da interpretação junto aos nossos pares. Quem sabe, um tradutor automático surgido no mundo tecnológico, capaz de azeitar a comunicação dos  gêneros. Ora, o relacionamento entre seres humanos já convenciona um grande desafio. Imagine se adicionarmos outros atributos que demonstram à complexidade das almas, na diversidade de grupos e espécimes, surgidos a partir dos gritos de liberdade? Gritos que estão afugentando a tradicionalidade dos padrões culturais da soberania masculina e a opressão sobre as mulheres nas derivadas formas de escravidão psicossocial. Gritos variados que lutam e relutam por aceitações sociais! Verdades sofismáveis e fantasmas que perduram em diversas culturas e contextos sociais, como heranças malditas e troféus da ruína e da estagnação da mente humana. Preconceitos que disputam à lógica e a realidade, no mesmo espaço onde a inteligência dá suporte à ciência investigativa e a tecnologia, desprovidas do rancor e com apurado senso crítico. Essas estranhas disparidades culturais, em dimensões adversas, resistem num mesmo espaço e tempo! Entre tantos descortinamentos e revelações, a relação biunívoca, em pares ou duetos, passou a ser insuficiente para acalmar os instintos e a sexualidade. A democracia das almas imputou infinitos emparelhamentos, multiplicando conexões carnais e sensoriais. Enfim, um complexo ambiente para viver, experimentar e sobreviver.  No Brasil, os cálculos populacionais não determinam uma diferença quantitativa acentuada entre homens e mulheres. Pelo contrário! A relação é de quase 1 para 1. Essa proporcionalidade determina que não há  desequilíbrio populacional. Portanto, não haveria motivação aparente que justifique um latente choque, ruptura, luta, exploração ou desigualdade social.

Mesmo assim, uma revolução silenciosa trafega pelas cabeças das meninas. Um movimento emergente de emancipação que segue um exercício diário. Uma metamorfose! Transformações de atitudes e comportamentos. Questionamentos e radicalizações potencializados pelo conhecimento e pelo senso crítico, social e democrático do direito à liberdade. Sem pedir licença! Estopins que intencionam transmutações e que convertem a tradicionalidade, a mesmice, em práticas do passado, aplainando a fórceps os encaixes nas relações e ajustando às imperfeições individuais e coletivas. Sem dúvida, uma reconstrução de dentro para fora. Um enriquecimento espiritual em posturas individuais, possivelmente trazidos pela herança, conectando semelhantes atitudes, em diversos ambientes de luta e de apoio. Max, Augusto Comte, Durkheim e Weber estariam estarrecidos com a evolução feminina, ocorrida nos últimos 50 anos. Um conjunto de alterações que ainda nem deu sinal de cansaço. Atos de assunção e renuncia que se alteram em escala crescente. Posturas que empurram consensos e dogmas para um campo mais democrático, recriando novas lógicas, refazendo conceitos de felicidade, liberdade e fragilidade. Vulnerabilidades espirituais que estão sendo reconsideradas por elas, para dar fluência ao fortalecimento dos ideais. Mas, os homens também estão evoluindo. Nunca se viu tamanha participação e contribuição familiar, assim como nunca se viu tantas mulheres nas ruas, contribuindo com sua força de trabalho.  Quem não capta esse cenário, esquece-se do entorno! A busca por resultados e a maximização da eficiência lastrearam uma resposta em cadeia, exigindo mudanças em tudo e em todos, além da própria mulher. Exigindo do poder econômico e da produção. A indústria de higiene pessoal e cosmética foi fortemente influenciada. Os produtos passaram a adotar níveis de resistência prolongada acima dos índices olímpicos. Nada menos que 48 e 72  horas do mais alto teor de frescor, segurança e proteção total, com ou sem abas. Aliás, o juízo sobre a proteção, também tem recebido forte pressão social. Mudanças  legislativas  têm exigido desdobramentos públicos e políticas específicas. Fruto de uma sociedade impaciente, participativa e atuante contra os alarmantes e brutais casos e índices de criminalidade e violação dos direitos. E se todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, então é necessário aprofundar e exercitar assiduamente tal assertiva constitucional. Princípios que estabelecem que não há papéis específicos ou distinções.  Em suma, tudo isto tem cristalizado uma nova concepção de mundo e uma nova tendência, com uma nova roupagem feminina. Um aguerrido senso libertário, anarquista, revestido da busca pelos direitos e uma maior blindagem psicológica.  Nasce uma Joana d’Arc a cada minuto!

Mas, nem tudo pode ser considerado vitória. A mulher é susceptível à armadilha dos seus próprios encantos. No jogo do erotismo, a erotização tem ultrapassado limites questionáveis, confrontando objeto de desejo com liberdade sobre o próprio corpo. Sugere uma linha tênue entre o limite do domínio e da exposição em confronto a uma possível submissão continuada ou disfarçada, onde o velho modelo imperativo do capital encontra plena sintonia com a imagem útil, inclusive disponível  à exploração nas diversas formas e evidências. Procura-se o melhor enquadramento da dignidade. E procura-se novamente o culto ao respeito, sem submissão ou temor. Nas atitudes diversas, sobretudo nas atitudes masculinas, para garantir uma convivência saudável. Ao mesmo tempo, é imperativo desmistificar o desnível  imputado às mulheres, inclusive na contrapartida financeira que reconhece seu  esforço e capacidade produtiva, atribuindo, contudo,  deficiência na igualdade de gêneros.  Talvez, estes sejam os últimos descompassos a serem mexidos e vencidos. Algo que requer refinamento para balizar uma nova prática social, sustentada por virtudes, valores e condutas.  Nada que permita extinguir a gentileza e a civilidade. Nada que permita uma disputa desenfreada, entre mulher maravilha e super-homem. Nada que destrua as pontes já construídas sob pesadelos, na coragem, no sofrimento e nas afirmações, com objetivo predeterminado à plena libertação. Sem rédeas e sem amélias.  Onde o amor será provavelmente a fonte inspiradora e pacificadora da vida para ambos. O amor da  conexão terrestre e divina. Afinal, somos apenas criaturas domesticadas e imperfeitas, que buscam nas vicissitudes, aproximações  e acasalamentos, tentando vencer os tormentos, as angustias e fraquezas.

Crônica Social: Mutantes e Messias

SAM_3983elaborado por Fernando Cássio, em agosto de 2015

Marte e Saturno estão bem mais próximos! A tecnologia intencionalmente provocou isto! O céu, as estrelas e os astros sempre fizeram parte dos nossos sonhos e fonte dos nossos desejos. Ao investigarmos o infinito, procuramos por esperança. Quem sabe, um ser extraordinário. Alguma espécie de outra ramificação ou patamar com qualidades e riqueza suficientemente superior para nos ajudar. Para contribuir com a melhoria da evolução humana. Alguém que traga novas respostas e soluções para os problemas existenciais desse mundo. Entretanto, aqui na terra, especificamente no Brasil, carecemos de maior urgência. Procuramos sobreviver e nos salvar do caos social instalado, das especulações políticas e do raciocínio lógico que demonstra uma realidade perturbadora e assombrosa. Procuramos por desfechos que não sejam provenientes de qualquer estrela cadente, muito menos dos seres mutantes. Não há empatia para aturar gente comum com poderes especiais e vantagens acima da razoabilidade. Não estamos em busca de semideuses ou super-homens transfigurados, representados nas imagens de políticos, sustentados por ideologias superficiais. Aqueles que criam e se alimentam das crises, tirando proveito dos destinos, dominando espaços onde há baixa interferência, mesmo que haja pressão popular. Aqueles que alteram propósitos, princípios e fundamentações ideológicas e suas próprias convicções com a mesma rapidez e eloquência dos discursos. Ludibriando e manipulando interesses coletivos, no intuito de alcançar vantagens e atender seus próprios interesses, custeados por grupos econômicos que rasgam o senso da nacionalidade e patriotismo. Estes são os mutantes! Se amoldam, conscientemente, nas conveniências capitais, arrastando agregados seletos, entre assessores, gestores públicos e fornecedores.

Vivenciamos este contraponto celestial. Entre divindades humanas, crises e esperanças. As investigações que se apresentam e se sucedem no noticiário brasileiro, sobre ilicitudes e o crime organizado, são estarrecedoras e impactantes, inclusive em valores nominais astronômicos, estratosféricos, que nem mesmo, as investigações e os achados científicos sobre o universo conseguem surpreender ou superar igual audiência. O suspense político tomou conta das ruas e chama a atenção popular. Desdobram-se em casos e evidências policiais. A cada novo capítulo surge novas emoções. Histórias sobre histórias que vão deformando a nação, clarificando a criminalidade instalada e desmontando as relações de convivência pacífica. Projeta-se uma ficção da ordem. Uma decadência. Várias crises numa só – crise de moralidade, crise econômica e crise política. Um caos generalizado. Um filme diário que trata do cenário de conflito e da tensão sobre a realidade brasileira, cujos atores somos todos nós, misturados aos bandidos que ocupam as esquinas, os cargos e as perspectivas. Um momento que demonstra o distanciando das classes sociais, do governo central e dos ditos representantes populares. Um país que virou um filme diário de horror. Um drama nacional que se acentua, de forma crescente e gradativa, nas dificuldades financeiras e sociais, em decorrência da poder inflacionário, da queda da produção, dos desacertos nas diretrizes econômicas, na ineficiência das políticas públicas, no descrédito, na desconfiança e na falta de exemplos e boas práticas. Acumulam-se as vítimas! Destaca-se a ingovernabilidade! Extingue-se a legitimidade! E todos passam a procurar por um Messias, inclusive o governo eleito.

É constrangedor verificar a tentativa de embaralhamento dos fatos, contribuindo, de uma forma ou de outra, para apaziguar este momento, atenuar as ilicitudes e abrandar os feitos negativos, bem como os atos praticados pelos réus – civis e com foro especial. Mas, o tema principal tem tipificação certa. Quando se utiliza o poder para o enriquecimento ilícito, criando um modelo de empreendimento, paralelo e secreto, com ampla ramificação hierárquica e gerencial, com sólida estrutura operacional para desviar e consumir recursos públicos, então isto se chama máfia. Um poder paralelo dentro do poder do Estado. Atuando em sintonia ao poder público. Imaculando as regras sociais. É crime da maior gravidade. Tem intensidade e pedigree. Ocupa outra dimensão. Se não bastasse, concomitantemente, há uma tentativa governamental de enaltecer ações em benfeitorias de cunho social, na igual tentativa de desviar os olhares e ludibriar a massa. Anestesiar a população! Gente que atua no crime e simultaneamente apresenta um discurso religioso do bem fazer. Que acha que o processo eleitoral apaga seus males. Que rouba, mas faz. Tudo isto é funesto! Fatal para qualquer sociedade. Para a democracia. Será que estamos perdendo o padrão mínimo moral? Aquela régua que identifica e manda frear os pecados que contaminam as gerações, as pessoas, as atitudes e toda a coletividade? Quem não enxerga isto perde-se nas abordagens, nos princípios e passa a ser conivente com os mutantes.

No Brasil, enquanto as atuações políticas e dos gestores públicos se esmeram nas artes cênicas, reproduzindo expressões idiomáticas repetitivas, próprias para justificar as incompetências, as ineficiências e os baixos resultados, a sociedade refaz a esperança e direciona foco para outras questões. O senso crítico da população tem evoluído. Instintivamente passamos a compreender parte deste universo de erros para garantir nossa própria existência. Ampliamos as críticas e reprovações sobre a má condução do ambiente público, dos serviços precários e a má conduta dos políticos e suas casas legislativas. Há uma impaciência crescente e generalizada! As práticas das inverdades e falácias produzidas durante os processos eleitorais e executadas durante as jornadas executiva e legislativa não estão sendo suportadas e despercebidas. E já surgem focos de insurgência em várias cidades, combatendo os excessos e as irregularidades, através da energia que emerge unicamente da população insatisfeita. Um movimento apartidário e comunitário. Apoderando-se do desejo de dominar as ruas e resolver os erros. São focos de justiça com as próprias mãos. Por outro lado, alastra-se o individualismo e o oportunismo, próprio do cenário de guerra e pós-guerra.

Porém, precisamos acreditar em dias melhores. Precisamos resgatar a intelectualidade caracterizada pela centralidade da ciência e da racionalidade crítica. Precisamos construir um movimento neste sentido. Não podemos crer na construção sem um direcionamento ou liderança. É trilhar por um caminho perigoso! Neste sentido, quem será o novo Messias? Quem será o mentor da nova ordem social de paz, de justiça e de liberdade? Quem terá a capacidade de conduzir o desejo coletivo de reconstruir esta nação? Quem, de forma legítima, poderá liderar uma assepsia política com a reformulação desse modelo e de todos os outros? Quem guiará este povo pela aridez dos problemas, inspirando confiança até a chegada da terra prometida?

Os ventos sopram fortemente, anunciando tempos de tempestades eletrizantes. Enquanto isto, vamos regulando o telescópio da razão para calibrar a busca pela solução brasileira. Rezem pela paz roubada e pelo fim da violência. E rezem para que se mantenha o rigor, desmascarando os mutantes até a chegada do novo Messias…….

Crônica social: Tempos de Guerra e Bruxaria

bruxos

Fernando Cássio, em agosto de 2015

O Ministro da Defesa Jaques Wagner, ex-governador petista da Bahia,  assumiu, nos últimos dias, a tarefa de representar a Presidente Dilma  e ser o seu principal emissário, noticiando o provável processo de  mudança na administração pública, cujo objetivo é a redução dos ministérios.  Já seria uma surpreendente audácia trazer um chefe, responsável pela coordenação das três Forças Armadas, para falar sobre gestão pública, no lugar do Ministro de Planejamento ou do Ministro da Casa Civil. Sem dúvida, um contraponto que nem as mais brilhantes escolas de administração conseguiriam justificar.

Porém, alguns desatentos e curiosos cidadãos não alcançaram o recado subliminar. Ora, o governo precisa de defesa! Encontra-se entrincheirado. Precisa utilizar armamento pesado para soerguer-se e novamente ocupar de forma positiva a mídia. Mas, invariavelmente têm perdido batalhas neste campo. As estratégias não tem surtido efeito. Necessita, pois,  utilizar de novas estratégias e manobra tática militar, na contra ofensiva aos jornalistas, contornando as alas das posições inimigas. Em apenas 07 meses de existência já perdeu a legitimidade e padece do distanciamento e do apoio popular, além do distanciamento dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário), que estão com olhar atravessado, perplexos e receosos com as últimas investigações e resultados do Ministério Público Federal – MPF. Nessas horas, inicia-se a formação de uma roda de curiosos, apenas no intuito de acompanhar os últimos suspiros do “semimorto” que agoniza. Neste caso, uma das vítimas seria o próprio governo, da Dilma, que destoou entre promessas, eficiências e engodo.  As outras vítimas nossos nós.

Mas, o Ministro, que não é militar, nem infante, nem mesmo conhecedor profundo da área militar, caberia discorrer exclusivamente sobre isto em cômodo tempo de paz, porém assumiu essa outra árdua tarefa paramilitar. Como explicar o movimento passivo da dívida pública, quando a trajetória foi impulsionada apenas com o aumento dos juros, calibrados em 14,25% (o maior nível em 09 anos), gerando um déficit adicional, até o final de 2015, no montante de 200 milhões de reais, se a pretensa economia com a redução duvidosa dos ministérios, alcançaria apenas duvidosos 8 milhões. Nem mesmo o Instituto Militar de Engenharia saberia conduzir tal abordagem, na imprecisão das hipóteses.  Tempos de crise! De estimativas mal elaboradas. Comandos e ingerências. Tempos de previsões futuristas e práticas do ocultismo. Talvez, tempos de Harry Potter.  Mas, por azar, ou não, ainda não existe o Ministério das Bruxarias.

Crônica social: Banho politizado ou banho de gato?

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por Fernando Cássio, em julho de 2015

Recentemente, a situação financeira imposta ao país têm provocado uma mudança radical nos costumes dos brasileiros. A preocupação passou a conviver com a necessidade diária em reduzir, economizar e racionalizar despesas, em função das surpresas mensais das faturas dos serviços públicos, nos gêneros alimentícios e no próprio encurtamento do poder de compra, amparados pela explosão inflacionária de 02 dígitos. Um desafio diário no cotidiano de todos. A atividade prazerosa e saudável do banho, assessorada pelos cosméticos, que dão garantias de até 72 horas, passou a ser uma penosa e árdua tarefa, competindo com o exercício aquático da reflexão político-econômica, na legítima preocupação financeira e matemática da sobrevivência do lar, contrapondo à  falta de confiança, crença  e legitimidade,  de tudo que é derivado dos governos e suas concessões. 

Quem não se lembra, ao abrir a torneira, do registro da energia correndo acelerado atrás dos limitados proventos,  para cobrir a incompetência administrativa dos governos do PT, na falta de infraestrutura e na  má condução do segmento energético, além da evidente incompetência das empresas operadoras de energia, através dos seus serviços, terceirizados e quarterizados, ágeis apenas no corte?

Quem não se lembra, ao abrir a torneira,  da escassez  angustiante da água, entre a saída do chuveiro até a sua entrada pelo ralo,  na força da intempérie climática, na inoperância pública, na falta de inovação e no registro financeiro das contas,  imputando rapidamente a dívida e o ônus, exclusivamente às residências, pela falta de investimentos, pela desordem urbana, pela má distribuição histórica do produto, além da contribuição do ar nos canos enferrujados?

Mas, se já não bastassem os fatos que consomem as preocupações, as fontes naturais e nutrem a fonte tributária, sem caracterizar  proporcional evidência de melhoria na qualidade do trato da substância (líquida, incolor, insípida e inodora), o curto espaço na lavagem cerebral, essencial à vida, têm provocado em Recife, uma nova tensão corporal, quando surgiram novas propriedades: cor, odor e oleosidade!

Valei-me, Santa Maura de Troyes, protetora das lavadeiras. Valei-me, São Francisco de Assis, protetor dos animais e da ecologia. E um salve todos, para a Santa Edwiges, protetora dos endividados! Talvez, daqui adiante, seja viável apenas a modalidade do banho de gato! Pois, essa transparência buscada nas águas, somete contribui para sujar, ainda mais, a alma e, sobretudo, a lucidez dos pensamentos…..

Crônica Social: Concurso Nacional – Fator Previdenciário

Fator

por Fernando Cássio, em junho de 2015

Pressão para o Fim do Fator Previdenciário! Se ficar o bicho pega e se correr o bicho come. Se aprovar, o governo Dilma se desgasta economicamente, e se vetar, se desgasta politicamente, com o Congresso e a população, de hoje e do amanhã! O veto é provável. E o Governo Dilma abrirá caminho para um Concurso Nacional, tendo como garoto propaganda o Jó Soares. Ganha aquele que encontrar a melhor solução para equilibrar o Sistema Previdenciário. Os especialistas e seus censos enigmáticos adiantam que há sobreviventes demais. Os desmandos públicos estão sendo ineficientes para provocar e ampliar o stress e garantir a redução no prazo de validade da vida brasileira. Não serão aceitas as proposições que versam sobre a mortalidade em grande escala. Será fator de desclassificação, além da ilegalidade “temporária” do ato. Adiantamos aqui, em primeira mão, algumas alternativas que podem ser trabalhadas, na manutenção do maniqueísmo que o tema projeta: (1º) Será proibido envelhecer; (2º) Cada brasileira terá, obrigatoriamente, a missão de gerar mais filhos, cadastrando, ainda no ventre, os novos contribuintes financeiros. E essa produção deverá ser controlada e gradualmente ampliada a cada ano; (3º) O processo de aposentadoria será automatizado, cabendo à implantação de chips que indicarão a execução do evento a partir dos 100 anos de idade, indistintamente para macho ou fêmea, em função da qualidade dos cosméticos e alimentos enriquecidos com vitaminas  e Botox.

Uma saída engraçada, se o tema não fosse tão cruel e trágico, pois mexe com as expectativas e perspectivas de cada um de nós. Do nosso presente, futuro e do futuro dos nossos! Quem visita o site da Previdência Social do Brasil (www.previdencia.gov.br) vai encontrar intenções publicadas que, de cara, destoam da realidade. Senão, vejamos: “… A Previdência Social é o seguro social para a pessoa que contribui”. Sua missão é garantir proteção ao trabalhador e sua família, por meio de sistema público de política previdenciária solidária, inclusiva e sustentável, com o objetivo de promover o bem-estar social…”. Como não estranhar tal vazio de palavras, na ausência ou inexistência de um modelo eficiente e na incapacidade política, ao longo da história!

Mas, sem condições gerenciais sobre os desvios e ilicitudes, sem conseguir vedar os vazamentos no erário, sem contenção dos gastos, sem legitimidade e sem utilizar-se de outras formas ou fontes (entre as quais, por exemplo, as riquezas do país, nos dividendos das commodities do Pré-Sal), não há como imaginar qualquer equilíbrio ou viabilidade. Que apareça, então, um cristo ou gênio! Um novo Albert Einstein para defender uma nova equação e vitalidade. Que consiga repassar o sentido do  desequilíbrio existencial onde funciona essa  matéria. Assim como é a natureza da motocicleta, na teimosia com a gravidade.  Que pense diferente e saia da caixinha. Que seja suficiente ardiloso para entender que as questões sociais, políticas e  econômicas são díspares e de difícil encaixe. Porém, não são impossíveis de enquadramento. Que seja corajoso e salve os novos e futuros velhinhos, assim como àqueles que ainda sobrevivem às experimentações dos laboratórios, na forma de governos. Quem sabe o Zé, do café….  Quem sabe um “déjà vu”……

Crônica Social: Fraquezas ideológicas e fraquezas estatais no Brasil

falencia e fracasso

por Fernando Cássio, em junho de 2015

Conforme registros do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, existem 32 partidos políticos no Brasil, além dos outros tantos em processo de formação, aguardando legalização, como é o caso do “Rede Sustentabilidade”. A multiplicidade e a possibilidade de combinações de estilos e correntes partidárias evidencia a sopinha de letras,  com alto senso de criatividade em configurações, que referendam estatutos, objetivos e, acima de tudo,  propostas declaratórias  em defesa dos interesses civis e coletivos. Para o cidadão comum  e para o ser político, não partidário, há uma evidente dificuldade em entender e distinguir às vicissitudes político-ideológicas,  que multiplicam  partidos e sustentam motivações, lastreando coalizões, fusões, coligações e migrações de políticos e  grupos, em diversos períodos históricos do país. Afinal, que senso lógico poderíamos adotar para justificar tais trajetórias e mudanças repentinas, evitando configurar a superficialidade das motivações, nos discursos e promessas que comprometem tais exercícios cívicos? Que justificativas caberiam ser ofertadas,  contradizendo o cenário de interesses menores, cuja objetividade é a busca do poder e das vantagens a ele  atreladas? Contudo, nosso objetivo não é incitar a destruição da natureza pública, mas registrar o desconforto diante de um cenário de mazelas e comportamentos distorcidos, que se tornaram  frequentes no noticiário brasileiro, envolvendo agentes e administrações públicas. Em resumo, antecipamos um cruel achado: embora são aplicados vultosos investimentos, enxerga-se uma viciada produção em infraestrutura e outros serviços, com baixo grau de qualidade, degenerativos e de alto custo, cuja durabilidade não atende aos olhares dos mais desatentos cidadãos, o que determina um conjunto de fraquezas e uma clara demonstração de abandono, ineficiência e desatenção aos anseios populares.

Nesse mar de dúvidas, fixa-se como única certeza a imagem desacreditada do político e das instituições sob sua tutela, entre desmandos, lentidão, burocracia, descontinuidade de ações e baixo valor agregado na produção dos serviços e responsabilidades públicas. Uma desconfiança sobre tudo que se constrói a partir das engrenagens partidárias e institucionais, produzidas por Brasília, nos Estados e Municípios, através das três esferas públicas (Executivo, Legislativo e Judiciário),  que mobilizam e imobilizam esta nação. Infelizmente, isto é fato e o recado das ruas! Diante desta constatação,  retrocedemos! Retrocedemos no exercício da democracia. Afinal, o que poderia florescer diante da desconfiança e do descrédito? Ainda pior é imaginar que não conseguimos paralisar, dar um basta, estancar o crescimento maligno que deturpa e destrói a forma de agir dos autores e coautores,  entre  representações políticas e  gestores  hierarquicamente escravizados. Esse processo doentio vai além de sintomas pontuais e determina uma corrosão abrasiva, que se estende por todo o país. Destaca a fraqueza da Nação e do Estado diante, respectivamente,  da perda de qualidade dos valores e princípios que sustentam a coesão social e a cidadania, assim como a falta de agilidade institucional para contrapor ingerências, violações e contravenções. Nesse mesmo sentido, evolui e fortalece a pirataria que se mantém continua, saqueando o erário,  descoberta apenas pela imprensa investigativa, que invariavelmente coloca em cheque os órgãos de controle e fiscalização, expondo hábitos corriqueiros, que utilizam-se da burocracia e das facilidades jurídicas, concedendo privilégios para àqueles que cometem crimes contra este Brasil. Sem um antídoto, retrocedemos na medida da perplexidade diária, entre tantos desvios, artimanhas e conspirações, que destacam o interesse individual de grupos sobre o interesse coletivo e sobre o dinheiro público, na iminência da riqueza fácil. Evidência um modelo de gestão pública ineficaz e colaborativo com as práticas danosas. Assaltos que se diversificam até o nível de escândalos nacionais, proporcionados por numa perfeita cadeia produtiva. O Mensalão e o Petrolão exemplificam tais operações criminosas, que envolveram uma ampla conexão,  entre recursos públicos e diversos atores e níveis hierárquicos, em prol das ilicitudes. Confirma e demonstra a diversidade de ações envolvendo políticos, agentes públicos e fornecedores, atuando simultaneamente em diversos níveis do governo federal. Didaticamente, demonstram que existe um vírus ativo instalado, de difícil controle e combate, criado e recriado para subtrair. E quando se imagina um tentativa de recuperação, eis que surgem novos eventos de rapinagem, com descendências plenamente adaptáveis, sobrevivendo a qualquer pressão popular e policial, assim como pensou Charles Darwin, nos organismos que se fortalecem na Teoria da Seleção Natural. Carecemos, pois,  de uma assepsia moral  e um novo rumo! Reavaliar e recompor os princípios éticos e reduzir a complacência nacional.

Tais violações e doenças corporativas acometem a maioria dos municípios e estados brasileiros, onde as manifestações patológicas se manifestam com maior facilidade e incidência nas  organizações que carecem de recursos e tecnologias. A deficiência se projeta na ausência de sistemas de controle corporativo, dos mais simples aos mais complexos, que deveriam proporcionar informações gerenciais, freando e identificando anomalias administrativas. Esta é mais uma evidência nacional, ao longo dos 27 anos de exercício democrático, desde a Constituição de 1988. Constata-se que a deficiência estrutural é uma realidade e que o cenário é deliberadamente ou intencionalmente incapaz, embora, ao longo desses anos, repetidos projetos e  investimentos foram aplicados e consumidos sem que  o êxito atinja os mínimos resultados satisfatórios. Então, há de se questionar: porque existe e se mantém uma deficiência tão ativa e evidente na máquina pública? Porque não há foco nas decisões de planejar, executar e garantir implantações e evoluções?

A prática do clientelismo é um capítulo à parte na feitura dessas cortes e paços. As benesses  encontram estreita relação com o exercício do poder, na troca de favores e benefícios proporcionados por espaços e serviços forjados, que carregam a obrigação do retorno dos investimentos eleitorais. Mas, também retribui-se a lealdade eleitoral, com a distribuição de cargos comissionados, disponíveis em todos os órgãos e instituições públicas, de livre escolha e baixa exigência profissional. Mas, eis que surge um novo conceito, na tentativa de quebrar este ritmo – a meritocracia. Amplamente divulgada como uma nova prática salutar, já foi deformada pela pressão daqueles que desejam manter os costumes imperiais. No disfarce do aparente exercício do mérito, os processos de seleção interna, de alguns cargos, ocupam espaço publicitário e projetam factoides, encontrando, entretanto, apenas àqueles pré-escolhidos, determinados pelos tradicionais métodos de favorecimento, frustrando os gestores públicos com comprovado currículo em projetos e feitos.

Em função desse sombrio desenho, há de se imaginar uma latente e desenfreada distribuição de excessos, injustiças e incompetências que derivam das estruturas públicas, dos exercícios gerenciais e dos comandos. Então, como enquadrar o animal político, Aristotélico, convencendo-o da necessidade do seu posicionamento partidário, exigindo direcionamento quando não há sequer empatia com sua própria índole? Como encontrar sintonia na dualidade do  ambiente público, onde  divergem os interesses de Estado com os interesses partidários, disputando o mesmo espaço, entre o exercício do poder e as responsabilidades públicas?  E como  assegurar equilíbrio no mundo disfarçado do jeitinho brasileiro, na teimosia da  hereditariedade do continuísmo?

Retrata, enfim, um conturbado cenário de inseguranças e fraquezas! Ideologias como meras peças contratuais. Participações políticas exortadas em oportunismos. Representações públicas incapazes na execução das suas competências e no domínio. Representantes sem credibilidade e legitimidade. Posturas públicas à mercê de interesses momentâneos e flexíveis às conveniências das pressões de toda a ordem. População descrente, sem referências e lastro ético. Justiça sem equidade. E uma Nação desviada, caminhando de forma imprudente e sem lideranças.

E como tomar a direção correta? Inúmeros pensamentos de Sêneca seriam apropriados a este momento. Portanto, as inquietudes devem seguir adiante, com a devida carga de coragem, mesmo onde florescem os temores.

Carecemos de um Estado mais independente e desassociado da dominação política, inclusive da intervenção excessiva das movimentações ideológicas sobre o Estado? Carecemos de ampla profissionalização e seriedade na investidura de cargos e empregos efetivos, sem interferência, restritivo e privado unicamente às carreiras? Carecemos de maior participação popular através de plebiscitos eletrônicos, ampliando a responsabilidade e a participação da cidadania? Carecemos de maior eficiência, visão de futuro, responsabilidade  e responsabilização dos políticos, dos governos e das estruturas públicas?  Quais seriam as aspirações, expectativas e perspectivas morais e sociais deste país? Que futuro queremos e como vamos deixar este lugar para os nossos descendentes? Pense…

Crônica social: Quem será o melhor amigo do homem?

cao2por Fernando Cássio, em maio de 2015

Quem poderia expressar maior nível de dedicação servil e bajulação? Quem por vezes fica inquieto, distante ou aparentemente mudo, mas apenas sua presença condiciona uma aparente segurança? Quem permaneceria por mais tempo grudado junto ao dono, inclusive nas horas mais difíceis, subserviente, dependente e dominado, aguardando um comando? Quem acompanharia de perto os passos e as decisões, quase percebendo, por transmissão de pensamento, tudo aquilo que você almeja? O mundo gira e as inventividades alteram o curso das nossas vidas, inclusive os conceitos filosóficos e as movimentações sociais. Quem imaginou que o melhor amigo do homem seria o cachorro errou feio! Apego canino faz parte do passado. Quem imaginaria um objeto do tamanho da palma da mão, roubando a cena e a propriedade, que historicamente pertencia exclusivamente aos mamíferos canídeos? Ninguém poderia prever nada igual! Este espaço foi tomado de assalto pela tecnologia que criou o aparelho celular, cuja versatilidade venceu a disputa pela atenção humana. E mais precisamente o cobiçado “smartphone” (tradução literal de celular inteligente) que estabeleceu um novo marco na manifestação cultural da sociedade, impondo novos costumes e cacoetes associativos. Há de convir que algo mudou drasticamente neste planeta!

Cheio de funcionalidades, também atua como um ímã e um radar, simultaneamente, capturando e explorando o entorno do mundo, em nome do seu proprietário, muitas vezes por vontade própria, sem consentimento, antecipando múltiplas conexões com variadas coisas e tantos outros dispersos transeuntes, organizados informalmente em comunidades eletrônicas de interesse, partilhando fileiras intermináveis de informações. O ápice dessa radical mudança surgiu quando alguém entendeu que as coisas podem e devem interagir, assim como os humanos fazem, com a maior naturalidade. E chegaremos, no futuro bem próximo, como exemplo, quando a geladeira, a mercearia e o fogão estarão trocando ideias e informações, comandando a cozinha, sem interferência humana, fortalecendo o movimento feminista e rasgando definitivamente o modo de fazer as receitas, no antiquado modelo das vovós. Então, conectividade é a palavra de ordem! Mas nem tudo é perfeitamente pleno ou completo. Eles ainda são frágeis! A “criptonita” são os governos que debilitam as fantásticas e indescritíveis engrenagens digitais! A falta de sinal é a porta dos desesperados! Na maioria das vezes os celulares respondem por pesadas penas e críticas, quando tentam circular pelos invisíveis caminhos digitais, nas trilhas esburacadas da burocracia que mantém a infraestrutura das comunicações estatais. E aí, não há conexão ou aparelho que garanta desempenho absoluto! Pensando nisso, os fabricantes, em parceria, já estão desenvolvendo soluções próprias, que vão desde balões aos satélites particulares, sem a anuência ou participação das doutrinas ideológicas.

Exacerbando o direito da visão dualista, quase sacra, os smartphones, mais eficientes do que os chaveiros suíços e os escoteiros, possuem a seguinte composição: (a) corpo – elaborado com a preocupação do design competitivo, em redesenhos evolutivos captados psicologicamente nos desejos e na atração visual, adoçando a lucratividade através do apelo comercial de intermináveis versões; (b) alma – nos softwares aplicativos (APP) desenvolvidos e instalados diariamente para legitimar o elo entre as necessidades e carências humanas, ampliando o apego, a aproximação e a dependência; e (c) espírito – quando a tecnologia, em transe, alcança vínculos com outros no além, como um fenômeno mediúnico, um ritual de pajelança, umbanda, colocando em sintonia e em rede sentidos afins. Desta forma, explica-se, fundamentalmente, todo o ritual que envolve este conhecimento tecnológico.

Eis que todos os sentidos estão convergindo para um único ponto em comum. Ver, ouvir, sentir e falar estão sendo miniaturizados, acondicionados e empacotados nestes aparelhos. Não haverá nada que não possa ser mexido, cutucado, acionado, desligado, conectado ou abrangido, apenas por uma sequência de teclas ou pelo apelo do dedilhar dançante, simulando a execução de uma música na viola. Já não há mais descanso ou privacidade, nem mesmo na hora do banho. Estes bichinhos, que se tornaram aquáticos, atrelados à teoria darwiana, já acatam as profundezas e o infinito do céu, sem cerimônia diante da pressão atmosférica e outras interferências tradicionais. Porém, a privacidade perdeu seus segredos no advento deste dedo-duro, fuxiqueiro e entregador virtual. Vários problemas de separação já foram causados por uma mensagem não apagada ou um ângulo de foto não intencional, enviada para um endereço mal endereçado, na hora do pileque ou na desatenção provocada pelo capeta. Problemas sociais e prejuízos que afligem a todos (e a todas). Algo imperfeito, que requer adequação e melhorias! Quem sabe um APP que remonta a tela e os últimos comandos, quando o GPS localiza a aproximação de um dos cônjuges. Caberia aqui uma risada nossa, coletiva, se não fosse o drama que te persegue!

A invasão silenciosa do “tamagotchi” dos tempos modernos cria modismos e sequelas, infectando o vírus da dependência, como uma droga sintética. No passado, as mãos que viviam ocupadas pelos bolsos e no exercício do movimento educado da sinalização entre chapéus e sombrinhas que se cruzavam, deram espaço às chaves, que logo depois foram substituídas, exclusivamente, pelos celulares, quando não há organizadas sacolas em jogo. Isto implica em dizer que as pessoas reduziram a possibilidade de se dar às mãos, fortalecendo e ampliando apenas a sobrevivência solitária, atraídos pelas facilidades do mundo secreto, procurando outros tantos, com a mesma carência. Essa inversão criou um segundo mundo, em paralelo, e uma nova pele, para cada indivíduo, hipnotizados e atraídos pela procura incurável desse ambiente. Observam-se novos cacoetes e manias, visivelmente detectáveis, onde diversas pessoas circulam, gesticulando isoladamente, travando diálogos acalorados, sem que haja ninguém ao seu lado, senão os destacados fones de ouvidos embranquecidos. Outros tantos, caminham obedientes e cambaleantes, ocupados e desatentos com o cotidiano, perseguindo somente as pistas e rotas traçadas, como se estivessem sendo controlados pela máquina que os levam adiante. Uma tendência da sociedade. Quem sabe, um provável e largo passo para a idiotização ou robotização das mentes, anteriormente livres. De fato, merece destaque,  a nova composição que retrata o cotidiano, na evidente multiplicidade de transeuntes, de cabeças baixas e arqueados no andar, aparentemente  isolados e conectados, impulsionados por um mundo paralelo, com enorme capacidade para escravizar a atenção  e consumir o poder da criatividade individual. Quem sabe, um momento de transição entre gerações, embaralhando costumes e hábitos, com novas  formas de convivência e colaboração, amplificada pela tecnologia, pelo modismo e pelo oportunismo capital.

No Brasil, em março de 2015, foram comercializados mais de 283,4 milhões de aparelhos, cuja densidade é de 1,38 celulares por habitantes e uma projeção anual de quase 10 bilhões de unidades para serem consumidas. Venerados por várias correntes, entre usuários de todas as idades e crenças, envolvendo comerciantes, tecnólogos, projetistas, fabricantes, desenvolvedores e gente comum. Nada ou ninguém se compara em volume de interesse, foco ou convergência. Por sinal, você já parou para verificar quantas horas consegue ficar ausente, sem a sua mascote eletrônica? Reflita! Embora disponha da qualidade de aproximar, da maneira mais distante, interconectando pessoas, esta invenção, dita escravizante, na visão maniqueísta, carrega uma dualidade, quando permite criar relações biunívocas, de um para um e não de um para todos, no contraponto dos interesses comerciais, entre o capitalismo selvagem com o senso exacerbadamente coletivo do socialismo, onde possivelmente nunca haveria de ser produzida ou fabricada. Porém, individualizando, elevando, exacerbando e transportando emoções, de quebra ainda faz ligações, na medida do possível…..