PT Saudações

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por Fernando Cássio, em maio de 2016

Quem traiu o povo? Onde ficou o idealismo partidário e a ideologia? Quem resolveu avançar na arte do desfazimento? Particularmente, eu votei, um dia,  por mudanças sociais e seriedade. Buscava algo ou alguém diferente. Mais sintonizado com as causas populares e mais sintonizado com preocupações sociais. Buscava por valores esquecidos e por uma necessária  mudança de comportamento político e da própria sociedade. Não dei minha assinatura em voto, para organizar e compor uma possível quadrilha de piratas, supostamente assaltando os cofres públicos e compondo conluios com fornecedores, salvo melhor juízo de valor, o que não parece ser irrefutável, considerando a atuação do Supremo Tribunal Federal, do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da imprensa livre. Não autorizei a formação de um grupo de irresponsáveis, supostamente caracterizados como gestores públicos, para levar o país ao abismo e ao pleno caos econômico, financeiro e social. São mais de 10 milhões de desempregados, uma cadeia produtiva quebrada, uma desconfiança na atuação pública, uma inflação em franca ascensão e falta de legitimidade para governar.

Mas este dia 12 de maio será um marco histórico. O fato não reside na retirada de mais uma autoridade, pois essa ação deve ser encarada na probabilidade matemática da ocupação política. É fato comum, corriqueiro e necessariamente exemplar. Um risco para quem decide se candidatar ao exercício do poder e do parlamento. Políticos caem aos montes, em qualquer país do mundo, como se fossem frutas alcançadas e desgastadas pelo tempo.  É natural! Mas, devemos ressaltar, neste momento, o vigor da democracia sendo praticada ao vivo, com a plena participação e cuidado. Quase uma festa no mundo latino,  disputando espaço e atenção com outros temas  mais populares.  O  Partido dos Trabalhadores – PT deve encarar este momento para uma  reflexão particular. A situação indica a contaminação plena, quando se praticou  o exercício político com o exercício do poder, sem os devidos cuidados éticos. Quando o limite da confiança foi ultrapassado. Quando não ouviu seus pares congressistas. E quando, simultaneamente, foram ampliando os indícios, os rumores e as provas das ilicitudes, sem contra provas convincentes.

Este último capítulo, envolvendo a destituição do cargo, passa a ser uma mancha histórica e irreparável no currículo do partido e de seus membros. Adiante, o PT estará morto ou seguirá cambaleante e desqualificado? Somente o tempo dirá. Mas, nem tudo foi perdido!  Aprendemos, com o legado positivo, que o país é feito de várias matizes que precisam ser ouvidas e atendidas. Aprendemos e fortalecemos o senso crítico constitucional. Em cada canto desse país, todos indistintamente passaram a entender e participar dos meandros relacionados às práticas e aos normativos que exigem da conduta política e social. Passamos a compreender a necessidade dos limites da moralidade e da ética  e o contexto de nação. Assim, vamos seguir adiante, apostando que algo de bom ficou entre tantos desacertos…

Crônica social: Aluga-se

por Fernando Cássio, em abril de 2016

OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO – mobiliado, com ampla vista e diversos cômodos. Pré-vago a partir de domingo, dia 17/04. Inquilino anterior já recebeu ordem judicial de despejo. Edificação com alguns problemas estruturais, necessitando de faxina e manutenção nos pilares. Padrão sul-americano Vagas adicionais para auxiliares e copeiragem. Localizado no olho do furação. Contrato de locação por apenas 04 anos, sem direito a renovação. Todos os encargos são fracionados no condomínio chamado Brasil. Aceita-se distrato, caso não dê conta do imóvel. Exige-se garantias para a ocupação, inclusive ficha corrida e pretensões. O fiador deve ser a Nação. Será de exclusiva responsabilidade reparar todos os danos causados Deve-se manter as boas condições para devolvê-lo em ordem, ao final do contrato. Vistorias poderão ser realizadas a qualquer tempo. São permitidas mudanças internas. Não poderá haver sub-locação. Direitos e Obrigações adicionais estão baseados na Constituição Federal. Os interessados devem se apressar, pois já recebemos várias ofertas. IMOBILIÁRIA SUFOCO DE VIDA – nosso lema: a sua satisfação pode não ser a nossa.

 

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Crônica social: Reflexos e Reflexões

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por Fernando Cássio, em abril de 2016

Quem conspirou contra o país? Quem se envolveu em conchavos para garantir e movimentar o uso ilícito de recursos? Quem ludibriou a população? Quem ascendeu a desconfiança? Quem utilizou do poder para o enriquecimento próprio e de terceiros? Quem feriu a Constituição? Quem zombou da ética? Quem cometeu atos de abuso no exercício do poder? Quem consentiu o enquadrilhamento de cargos públicos? Quem instigou a ira, a raiva e a decepção da nação? Quem corrompeu as estruturas hierárquicas da máquina estatal? Quem tentou aniquilar as posturas, as condutas, os princípios e a moral? Quem tentou subverter os valores e a ordem? Quem proporcionou a destruição da cadeia produtiva nacional? Quem não zelou pelo país e facilitou a expropriação? Quem confiscou as esperanças e os negócios? Quem reativou a inflação e o desemprego? Quem foi investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público? Quem foi preso? Quem são os malfeitores? Quem são os acusados, suspeitos e réus? Quem são os piratas e bandidos? Seria você? Somos nós? Avalie junto ao espelho as causas e as dificuldades pessoais, de sua família, amigos e o entorno. Quem deu causa a tudo isto? Domingo, dia 17/04/2016, é tempo de mudança. Há tempo para tudo. Tempo de guerra e tempo de paz…….

 

Crônica social: Porta da Rua

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por Fernando Cássio, em abril de 2016

Já não pairam mais dúvidas! Porém, ainda precisamos dividir e conviver, num mesmo espaço, com brasileiros comuns e gente manchada, composta por um seleto grupo de profissionais, com conduta pirata, que exacerbou do direito de provocar os instrumentos constitucionais, durante o exercício do poder, reduzindo a confiança nacional e arranhando a ética, Apenas aguardamos o momento solene, no excesso de cavalheirismo, para abrir a porta da rua e solicitar, gentilmente, a retirada em fila. Para os rubros, na face e não de camisas, será um ato constrangedor. Mais um! Porém, cerrada a porta, eis o momento do recomeço! Nada indica que estaremos sarando a política, os enfermos e o próprio país, pois a contaminação já se alastrou, alcançando células jovens e maturas, além do futuro. Tão pouco os vícios serão sanados, mesmo com as cicatrizes presentes. Adiante, serão anos a fio! Desejos de assepsia! A placa “nova administração” será essencial, evidenciando a vontade da nação aos olhos do mundo. Então, vamos apostar na sorte, na fé e na índole. Vamos em frente…..

Passando a Borracha

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por Fernando Cássio, em janeiro de 2016

Parece uma tarefa fácil? Antes de tudo confesso que gostaria de ter nascido com o dom da inventividade. Desde criança carrego este sonho. Profissão, inventor. Nada mais original e distante do conturbado e repetitivo mundo das mesmices. Contudo, também observo a pressa dos concorrentes.  Quase tudo já foi criado. Apenas uma ideia original e singular ainda não foi colocada em prática por ninguém. A borracha! A borracha  que apaga as amarguras e as tristezas, assim como a borracha que apaga as tatuagens. Ambas terão sucesso garantindo, quando estiverem em franca produção e à disposição de uma sociedade corroída pelos vícios do modismo e pela maré de azar, que aflige sem piedade este país. 2015 deveria ser apagado da história contemporânea. E os possíveis desalentos também deveriam ser formatados. Foi o ano incapacitante e inoperante! Uma paralisia geral! Uma ziquizira que contaminou, alcançando indistintamente todas as classes e os setores. Quem vivenciou, de perto, perdeu algo. No mínimo, perdemos a dignidade nacional! Tão ruim e maldoso, que revolveu invadir, sem permissão, transfixando o ano seguinte, deixando uma densidade negativa instalada. Porém, essa praga generalizada que tomou posse dos capítulos político, social  e econômico e do enredo Brasil têm poder destrutivo maior e seu alcance vai mais além que um  baixo astral momentâneo.

É fruto do descontrole, da ingerência, das atitudes descabidas e dos comportamentos antissociais que se perduram, perturbam e evoluem. Um contexto desmoronante, que promove o afrouxamento do caráter  e que aniquila o ordenamento público. Uma pátria em declínio moral, com incertezas, sem inibição, arrastando tudo e todos. O ímã da decadência. Uma nação de cidadãos encalacrados e distantes dos princípios. Quem ainda não foi atingindo ou prejudicado não está imune. Não se iluda! As mazelas estão caçando novos adeptos. Os requisitos são incontáveis. Um povo com aptidão natural para conviver e sofrer com as deficiências, públicas e privadas, que infestam todos os recantos. Neste exato momento, não há nada que ofereça credibilidade ou confiança. Nem mesmo prezamos pela segurança, nas derivadas formas, ou prezamos pela governabilidade. Não há pacto! A violência, sem combate e sem uma política nacional, se associa a outros eventos desastrosos, interferindo na paz e acrescentando uma instabilidade psíquica, um processo mental continuado, da perfeita ausência do Estado e do sentimento de cada um por si. O cinismo e a incompetência estão fazendo dueto no palco principal, onde tudo passou a ser teatral, sem simulações ou disfarces. De cara lavada, estampada e gritante! Parece excesso de pessimismo? Talvez! Faça uma breve avaliação do cotidiano. Tente localizar algo que inspire confiança, credibilidade ou honestidade. Escolas, hospitais, qualquer tipo de profissional ou serviço, produtos, legislações, homens e ações públicas, etc.. Nada está imune no Brasil! Talvez, ninguém ou espécie alguma tenha a capacidade suficiente. Capacidade de carregar crenças positivas e um grau mínimo de legitimidade, para estabelecer um novo ordenamento. Ou manter-se ileso. Basicamente uma sociedade sem antídoto! Sem liderança e sem direcionamentos. Uma sensação de conspiração geral! Um ambiente marcado e assentado pela falta de atributos e pela ausência de zelo. Uma época onde a esperteza, a incapacidade e a inaptidão dominam e sobrepõem.  Quando os desejos individuais sobrepõem à coletividade e o bom senso. Um descumprimento crescente e passivo que ilude. Uma ganancia, apimentada pela agressividade, pelo desrespeito e pela impaciência.  Que degenera, falsifica e gradativamente altera os paradigmas, recriando e derivando para uma construção irregular de práticas diárias às avessas. Demonstrando e firmando apenas vestígios de ética. Uma marcha e jornada que acrescenta um novo formato de convivência, relacionamento e um novo modelo de sociedade.

Mas, e o futuro promissor? Que futuro! Quando deixamos germinar, sem cuidado, a semente da instabilidade, a  corrente do mau e a geração da colheita maldita, estamos construindo e cultivando uma nova ordem através do caos. Porque estamos transformando essa nação em rabiscos? Onde estará  a borracha e onde estarão os insurgentes…..

DILMA PESSOA JURÍDICA CONTRA DILMA PESSOA FÍSICA

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por Fernando Cássio, em 22/12/2015

Passaremos a régua no ano de 2015. O que frutificou? Nada! Provavelmente nada, senão múltiplas prisões e acordos de delação. Um governo alicerçado por seguidas manchetes policiais e malabarismo em vários setores. Visões e exemplos negativos de um país incompetente, envolto na criminalidade e nas ilicitudes. Fatos que passaram a ser corriqueiros, sobrepondo atos de avanços. Popularizaram o criminoso político e o caçador de bruxas, na imagem personalística do juiz salvador. Popularizam a imagem de um governo incapaz, criado apenas para a autodefesa das próprias mazelas. Que nasceu hesitante e duvidoso e que se mantém pelo movimento de seguidas descobertas investigativas, especializando-se em projetar gestores que atuam, simultaneamente, nos bastidores do crime e nas formalidades do poder central. Cargos, órgãos e posturas arranhando a confiança e a imagem do Estado. Guiando um país desgovernado, que continua descendo a ladeira. Uma autofagia legítima ou ilegítima? Uma leniência coletiva? Talvez, os brasileiros, a ética e a moralidade já identificaram a fatalidade que se meteram e o iminente desastre que alcançará toda a nação. Neste momento, estamos percorrendo uma descida íngreme que pegou embalo. Um constrangimento geral. Mas, é chegada a hora das previsões e dos gurus. Neste quesito, qualquer brasileiro, em sã consciência, passou a ter o dom da premonição. 2016 já está contaminado e apodrecido. Apenas uma pessoa continua confiante. Não sabemos se compreendem os pensamentos de uma pessoa jurídica ou física…….

MANIFESTAÇÕES DO INCONSCIENTE

por Fernando Cássio, em 14/11/2015

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Não duvidem os políticos! E não duvidem deles também! No inconsciente de cada brasileiro, seja homem, mulher ou criança, evolui ativa e progressivamente a sensação da desordem e da desonestidade encampando às organizações públicas e a sociedade brasileira. Uma sensação de roubo e do conluio de interesses pessoais sobrepondo aos interesses coletivos dessa nação. Uma perfeita visão captada na mistura leviana, noticiada pelas múltiplas relações danosas entre representantes públicos e fornecedores, que se aproveitam do espaço do poder para desviar vultosos recursos públicos. Não há dúvida quanto ao comportamento desvirtuoso e a perda crescente da confiança, onde a crença apenas pontua mais ilicitudes e mais atos de incompetência, simultaneamente. Cresce um senso crítico apurado, de uma população que aprendeu a cobrar pelos seus direitos, pressionada pelas dificuldades sociais e econômicas do seu próprio cotidiano. Apurada pela deficiência transparente das áreas e atitudes dos governos. Instala-se a ideia do roubo generalizado sem qualquer contra oferta de serviços ou preocupação do dolo. Sem cuidado, qualidade ou intenção do fazer. Afloram mais notícias e mais fatos que colaboram para reafirmar esse comportamento anticívico. Algo que não é estancável! Deploráveis exemplos de convivências ditas republicanas. Tudo culmina com uma sugestiva imagem da lama escorrendo de dentro do país, fruto de tantas outras incompetências públicas generalizadas. Mas, antes que o controle judicial e o Estado de Direito (já arranhados) sejam pressionados para manter o equilíbrio e o retorno à ordem, é importante ressaltar que o julgamento da consciência popular já sentenciou este cenário. E algo está por vir, pois nada se mantém eternamente ou sobrevive apenas nas profundezas do inconsciente…

Crônica social: O governo é ruim! E aí?

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por Fernando Cássio, em outubro de 2015

Nem tudo são lástimas. Nem tudo é caos. Vale relembrar a máxima de Abraham Lincoln: “a democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo”. Parece que a sociedade aprendeu a exercitar a democracia, com a alta dose da radiação de negligência pública e desgovernabilidade. E parece que os desacertos governamentais são didáticos. Essa ingovernabilidade abrangente trouxe maior participação, atenção e compromisso da sociedade brasileira. O povo deixou de ser apático! Redescobrimos que não existem representantes sem representados. E que não podemos deixar uma procuração com poderes ilimitados, na hipótese da defesa dos nossos direitos, sem que haja obrigações acessórias e sem que haja legitimidade nessas representações.  Ficamos mais críticos e ampliamos o senso coletivo. Um insight sobre o conjunto de artimanhas que produzem efeitos negativos sobre nós. Passamos a não aceitar castas em detrimento da maioria. Passamos a ter maior consciência sobre as movimentações políticas e maior cuidado com o gerenciamento econômico e financeiro do país. Ressuscitamos o medo da inflação e o controle sobre os gastos de qualquer natureza.

As dificuldades instaladas alcançaram nossos lares, indistintamente, inclusive pela violência que cerca, retirando o véu da falácia que garantia uma proteção fantasiada pelos disfarces midiáticos financiados. Empurrando todos nós para uma única realidade de pré-falência social e caos institucional, provocando um amadurecimento repentino. Passamos a abordar estes temas nas redes sociais, cutucando os descaminhos, expondo segmentos e atos, obrigando reflexões e desagravos. Passamos a delatar crimes e delitos pela impaciência de enxergar erros repetitivos e contumazes. Diante de tanta negligência e corrupção, resolvemos reiterar os princípios baseados na ética e  moral, fundamentais para a coesão social. E aí, forma-se, instintivamente, um elo invisível e duradouro que fortalece a própria sociedade, projetando, ao mesmo tempo, uma ruptura com as representações formais, pela  descrença e pela desconfiança. Passamos a cultivar a ciência política, entendendo conceitos e articulando essa prática no cotidiano. Passamos a ser mais incrédulos quanto aos discursos vazios e quanto às posturas públicas. Passamos a cobrar e exigir nossos direitos, em todos os níveis.

Mas, precisamos ainda entender que não existe uma associação entre o crédito social, disponibilizado pelos governos, através da oferta de serviços,  com  a obrigação do pagamento dessa dívida através do voto, permanecendo, como escravos, na dependência, nos currais e no faturamento eleitoral.   Pelo contrário, precisamos pressionar, ainda mais, os governos para que pratiquem resultados com eficiência e envergadura técnica, atendendo às necessidades desse povo. Assim, nem tudo está perdido! A sociedade não se intimidou e condensa uma nova mentalidade. E uma nova feição, mais altruísta, para o homem público. Tudo isto sugere um novo refazer coletivo. Uma marcha na direção oposta.  Quem sabe não estaria florescendo um novo Brasil. Uma nação unificada e com igualdade para todos, assim como sugere Lincoln…..

Crônica social: O mundo público do vale quanto pesa

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por Fernando Cássio, em setembro de 2015

Essa hipótese está intrinsecamente ligada ao mundo público, na vasta imensidão das vaidades que sobrepõem o exercício da administração científica e das qualidades administrativas. Isto não quer dizer que o mundo privado está imune!

Enquanto vamos criando e recriando regras internas, pressionado àqueles que estão lotados na sede das instituições, ao mesmo tempo, este mesmo público, sobrevive, constatando diariamente a falta de tratamento e julgamento equânime para a maioria dos casos corporativos. São estranhas decisões desbalanceadas que vão desqualificando as atuações e a coesão, atingindo, em cheio, os ânimos profissionais, distanciando, inclusive, a meritocracia já disfarçada, o respeito profissional e as situações individualizadas do capital humano, que coexistem no corpo técnico.  Entre elas, está a possibilidade da cessão funcional. Este evento premia alguns, porém não esclarece como alcançar os tais atributos para oportunamente se tornar um favorecido. Aos premiados, adiciona-se um suplemento salarial, outros ganhos indiretos e o selo da diferença funcional. O erro não está na alforria, nem mesmo no desejo compartilhado por todos. Reside no tratamento desigual, na utilização de um processo informal de escolha, emitindo  transferências ao sabor das conveniências e dos interesses [nem sempre coletivos], sem critérios e de livre arbítrio. Reside também na consequente diferenciação  imputando o conjunto de obrigações para quem fica e não possui a “dita”  marca da confiança, criando facilidades para quem se livra das correntes. Evidencia, simultaneamente,  desequilíbrio na tomada de decisão e favorecimentos, em um mesmo ambiente de trabalho. Vale exemplificar algumas disparidades: (i) não haverá mais necessidade de justificar, mensalmente, os contadores de segundos nos registros de frequência, que não julga produtividade, nem produção institucional; (ii) não haverá desconto salarial por atrasos e faltas, assim como não se apropria pagamento pelas horas adicionais, de noites em claro, visando a produção de projetos  ou créditos adicionais em função do desempenho técnico na excepcional qualidade das entregas dos produtos; (iii) não haverá qualquer obrigação no monitoramento funcional ou gerencial, nem mesmo entre o órgão cedente e o cessionário, ou qualquer consequência politico-institucional dessa conexão, senão apenas o despropósito na movimentação contábil da despesa,  como se existissem outras fontes de receitas, senão apenas mais uma operação circunstanciada [de entrada e saída] na mesma conta única.

Assim, vivenciamos um cenário perfeitamente parcial, injusto, onde há desproporcionalidade entre “direitos e vantagens” para alguns e “os rigores da lei” para a maioria. Onde há escolhidos e preteridos. Um cenário onde não se valoriza, não se guarda e não se julga por méritos técnicos e profissionais e não se valoriza as experiências e os feitos incomuns. Longe disso! Enxerga-se exclusivamente as relações e conexões  junto ao poder. Um ambiente favorável a proteger a quem deseja jogar o jogo desleal, induzindo para uma aceitação de artimanhas como única forma de garantir o desenvolvimento e o crescimento particular.  Neste contexto, reduz a participação e o público disponível. Destaca-se, assim, a possibilidade dos erros e a complacência nas atitudes, quando as circunstâncias do cotidiano público exigem deliberações baseados na consciência exclusiva de cada gestor, reproduzindo um modelo gerencial sem padrão. Cria-se, dessa forma, um mundo disfarçado, que produz estragos, visíveis aos olhares cientes daqueles que estão aptos às próximas injustiças ou que já saborearam a corrosiva prática. Ativa-se um ambiente frustrante e uma agressão muda, no clima organizacional propenso às doenças ocupacionais.  Sem dúvida, um lugar que requer evolução…

Crônica social: Fazendo Mais com Menos

mais com menospor Fernando Cássio, em setembro de 2015

O jeitinho brasileiro assumiu mais uma variante. Agora os videntes profetizam tempos de mudanças e tempos de novos modismos. É chegado o momento de repensar a forma como os governos estão atuando. Afinal, quase tudo deu errado! Conseguimos criar uma doença nacional cujos efeitos são de uma “poli-crise”! Ora, há quase 13 anos estamos praticando o mantra do consumo, sem que exista preocupação com a escassez da fonte geradora de recursos, sem que haja controle dos gastos públicos, inclusive concorrendo com multiplicadas ilicitudes, além de tantas outras pressões nacionais em função dos próprios desacertos do governo. Aplica-se, ainda, a desatenção sobre vários aspectos estruturais – econômicos, políticos e administrativos, que foram esquecidos, propositalmente ou não, diferente de qualquer país sério. Saímos do modelo traçado e planejado, baseado na administração gerencial e científica, para simplesmente fazer uso da riqueza nacional, no vácuo momentâneo dos ventos favoráveis que sopravam em todos os continentes. Ao consumirmos, desenfreadamente, sem critérios, no intuito teatral do encantamento, esquecemos dos princípios. Eis que findaram as fontes, as promessas  e a paciência do povo.

Vivemos um dualismo secular sobre Estado e Governo. Que coexistem, simultaneamente, num mesmo palco, com distintos interesses. Como se corpo e mente destoassem entre descompassos gerenciais e descoordenações motoras. O Estado, a máquina pública, se curva e se escraviza diante das ideologias passageiras. Grupos que enveredam por modificar e quebrar a continuidade das ações e projetos, criando ou recriando efeitos aparentes de mudanças, sem que haja qualquer transformação mais profunda. Isto acontece, seguidamente,  em vários segmentos do ambiente público. Paralisam e alteram o movimento da estrutura pública para imprimir um novo ritmo, adequado às características pessoais do novo administrador, num marketing político duvidoso, inserindo promessas midiáticas e pretensos modelos administrativos, sem conexão ou vínculos.  Infelizmente, a massa de eleitores passa a ser a massa de manobra que crê em milagrosas alternativas sem vínculos reais e sem princípios metodológicos. E, num segundo tempo, a massa de gestores públicos, que  terá a missão singular de defender as possíveis desconexões e arestas.

Imagine uma empresa de construção de aeronaves, alterando os processos decisórios e gerencias, a cada ciclo, a critério da vontade do grupo majoritário de plantão. Claro que seria um perfeito desastre [aéreo]. Jamais haveria plenitude e eficiência operacional! Quiçá, não haveria produtividade, profissionalismo e  produção! Do outro lado da cerca reside o ambiente público, que padece desse mal. Um conglomerado empresarial que direciona políticas para a saúde, segurança, economia, etc. e que também gerencia, executa e oferta serviços à sociedade. Mantêm delegacias, hospitais, escolas e determinam regras que refletem em impostos, arrecadação e na própria coesão social. Tamanha capacidade exigiria igual profissionalismo e seriedade. Mas, será que essa assertiva é verdadeira? Claro que não! A realidade demonstra o contrário.

A ingerência formal ou a má gerência do ambiente público reflete, em suma, num país perseguido pela histórica arte do improviso. Quanto mais improvisado e carente de controles, será mais susceptível aos grupos que ocupam o poder.  Um defeito que ocupa as entranhas das instituições. E este mesmo defeito, de alguma forma, está entrelaçado nas atuações dos gestores e dos cidadãos. Na falta de zelo, civismo e patriotismo. Na ausência de uma cultura nacionalista que confirma e zela pela conduta proba. Uma falta de qualidade em quase tudo que é produzido para ou pelo mundo público. Erros recorrentes e medidas paliativas repetitivas. Atividades organizacionais sem processos preestabelecidos ou formalizados, onde a burocracia vence os métodos e os controles. Tecnologias que não funcionam ou que exigem eternas manutenções. Fiscalizações e auditagens que nem alcançam os mais exacerbados excessos. Obras que perdem a validade e se deterioram bem antes do tempo mínimo de uso, quando não se destroem antes mesmo de serem inauguradas. Comunga-se com um Estado lento e oneroso, enquanto onera todos nós. Assim, entre tantos despropósitos, o imperativo é colher resultados em nome de alguns e caso haja sobra, então colhe-se também em nome do povo. Neste sentido, há uma luta ingrata. Como transformar o Estado Brasileiro em uma organização mais profissional, imparcial, eficiente e menos dependente dos desejos políticos temporais? Como criar condições para buscar resultados menos influenciados por fornecedores e com maior credibilidade junto à sociedade? Como envidar autonomia ao Estado e reduzir a dominação exercida pelos governos? Como separar competências de Estado e trata-las como ações continuadas e obrigatórias, sem que haja interferências? Onde encontrar as sustentações necessárias para direcionar iniciativas e produzir no intuito de fazer e fazer bem feito? E finalmente, quem sabe, não é chegada a hora de pensar e conceber uma “Certificação para Funcionamento” ou alvará, alcançando qualquer instituição ou instância pública,  no intuito de observar a existência  indispensável de um  pacote mínimo de habilidades técnicas e tecnológicas, atuando de forma conjunta e integrada, atendendo às funções administrativas  de planejar, comandar, organizar, coordenar, avaliar, supervisionar e controlar.

Enquanto isto, o eficiente jeitinho brasileiro rapidamente remodela o sentido das coisas, recriando a necessidade de se pensar diferente, novamente esquecendo os princípios – inclusive de planejamento e gestão, além dos redesenhos para indicar novas direções e rumos. Quem sabe, não seria conveniente utilizar palavras mágicas de efeito, como governança e inovação, como uma dupla sertaneja que não desafina. Consideram que a urgência incita soluções rápidas, de baixo custo, sem maiores conexões estratégicas e baixo valor agregado. Em suma, mais uma forma teatral de resolver crises. Mas, neste cenário de guerra, onde não há mais perspectivas favoráveis, onde não há mais recursos disponíveis, onde reina a baixa credibilidade e a falta de legitimidade, quem teria a coragem de propor outra forma de encarar estes problemas? Por onde estariam os tecnocratas, esquecidos nos porões dos escritórios públicos, que teimosamente insistiam por enveredar pela administração científica?  Quem teria a coragem de dobrar o punho da camisa, convidando os pares para reconstruir o Estado Brasileiro e a Nação? Seguramente, seria um momento importante para avaliar os últimos acontecimentos públicos e verificar as verdades embutidas no slogan “fazer mais com menos”. Uma parada obrigatória para comparar o comportamento e os resultados dos administradores e da própria  administração pública. Refletir sobre o tempo e sobre o consumo de milhões de recursos financeiros que produziram impactos insignificantes. Refletir sobre a monotonia que paralisa e adoece a máquina,  desencorajando a agressividade por  inovações e mudanças. Faça uma rápida constatação: quais processos públicos, criados nos últimos 05 ou 10 anos, projetaram ganhos ou vantagens para você? Estes seriam, talvez,  as dúvidas existenciais, nas diversas instâncias e pensamentos. E algo me diz que, matematicamente, nessa lógica, sempre dará menos…..

Crônica social: Fincando bandeiras femininas no inóspito mundo alfa

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por Fernando Cássio, em agosto de 2015

De partida, eu declaro este ato de loucura! Vou tentar enveredar pelo universo feminino, sem sair machucado. Sem, sequer, oferecer intenções negativas ou qualquer  tentativa de aproveitamento alheio. Longe de mim! Por certo, uma audácia, no intuito de trilhar pelo desconhecido, no espaço de resistência, perspicácia e senso de observação, característico do subconsciente e da alma da mulher, onde estes  atributos funcionam com competência singular. Serão lampejos e conjecturas, através do olhar de quem, na essência, detém um DNA com sangue opressor, Idêntico a qualquer macho alfa. E asseguro que este ranço agressivo é latente. Apresenta-se, em maior ou menor intensidade, na medida em que se contraria o senso de propriedade que cada masculino carrega. Um ato instantâneo de ataque e defesa! Uma intolerância contida e pacificada pela urbanidade e coesão social, mas que, por diversas vezes, se manifesta de forma incontida, nos gestos grotescos ou atitudes subliminares,  expondo ou trazendo à tona um nível de violência,  agressividade, descortesia e brutalidade, aparentemente abafado na hereditariedade e escondido pelo esforço da racionalidade. A concepção masculina projeta um senso de dominação e poder, sobre territórios – reais e virtuais, demarcando quadrantes geográficos e uma prole. É selvagem e nato! Um jeito ancestral, idêntico aos outros animais. Não custa lembrar, porém, que a mulher também assegura um instinto selvagem de proteção aos seus. Diga-se, de passagem, que essa proteção circundava a família e basicamente os filhos, quando também foi potencializada para os seus objetivos. A contraparte passou a lutar e ferozmente se posicionar na sociedade. Mas, segundo Simone de Beauvoir  “a representação do mundo é obra dos homens; eles o descrevem a partir de seu próprio ponto de vista”.

Construir apontamentos sobre o sexo oposto, na opinião reversa, já seria um contraponto paradoxal. Um contraste impetuoso. Quase uma antítese, na ênfase conflitante das diferenças e semelhanças entre homens e mulheres. Entre machos e fêmeas. Uma perigosa missão, pois ao errar na dosagem, seguramente os confrontos estarão presentes. Na contramão da Lei Maria da Penha, do movimento machista ou do movimento feminista. Que o senso masculino de Deus me ajude!  Neste aspecto, fica evidenciado o pedido de licença, com cara de habeas corpus preventivo, relaxando possivelmente o senso criativo, além das garantias tradicionais contra ameaças futuras.  Espero não cair numa cilada ou esparrela, enfeitiçado sensorialmente pelo sexto sentido, ou pior, contaminado pelos defeitos intrauterino que carregamos.

Será um mergulho no escuro, sem mapa ou GPS, na imensidão dos cromossomos XX, com roteiro dirigido para encontrar, basicamente, dois destinos. Uma análise interior, na introspecção subjetiva sobre suas preocupações, medos e obstinações, na busca pelo fortalecimento da própria alma. A outra trilha ou face refere-se ao ambiente social, demonstrando como as pressões e os impactos do cotidiano, muitas vezes sutis, movimentam e paralisam a própria existência e o progresso da mulher, de forma coletiva e individual, implicando, porém, em contrapartida, na geração de uma força motriz, uma alternativa energética, que é utilizada e reutilizada por elas, impulsionando sua rebeldia no sentido contrário às convenções e costumes enferrujados, impondo uma marcha e a envergadura evolutiva.  Observa-se uma realidade cruel e um nível de violência ativo e latente, como um campo de batalha, transformando pessoas em vítimas, através de diversas abordagens diárias, compreendendo a falta de cortesia, a humilhação, o assédio, a exploração, a dor  e até mesmo a morte.  Entretanto, estes estímulos sociais negativos, imprimem reações, ao longo da escala do tempo, unificando e aperfeiçoando convicções, propósitos e o brio feminino. Ativa um processo quase conspiratório, um ideário, e ao mesmo tempo, o triunfo, quando se verifica as conquistas e avanços, mesmo entre tantas baixas registradas.

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Acredito que as imperfeições humanas foram deixadas de propósito, como um caldo em cozimento, mantido aceso em fogo brando, para favorecer a necessária evolução do homo sapiens. Seria enfadonho um mundo perfeito, com seres igualmente estáveis. Teoricamente um paraíso sem manchetes, aparentemente útil apenas à ficção. Quiçá,  um mundo de ausências criativas! Sem direito aos sonhos, as ambições e teimas.  Chato! Um purismo incompatível com a inquietude das almas instáveis, originalmente pecadoras. A partir dessa hipótese,  o mundo real é provocativo, por natureza. Buscamos o aprimoramento, na constante efervescência das deficiências – entre medos e a busca da felicidade.  Embora, supostamente, o modelo de negócio, homem e mulher, sugira um perfeito encaixe, em função da divina construção celestial, cuja formação compõe uma única espécie, há fortes indícios que determinam uma deformidade existencial, onde as dificuldades interpessoais sacodem o convívio, com aparentes conflitos, inclusive de ocupação de espaços. Saímos de fábrica com os mesmos acessórios, estrutura, intelecto e recursos, mas falhamos na comunicação e na compreensão. O homem, primeira criação de Deus, tomou posse  e trouxe para si a hegemonia das coisas, apoderando-se desse direito, sem anuência da sua companheira de costela. Sabe-se lá até onde a estrutura genética influenciou essa supremacia psicológica, trazida até os dias atuais. Além disso, há um desequilíbrio ou empenamento que mantém uma intolerância para enxergarmos uns aos outros. Porém, Deus não erraria exatamente na sua mais ousada invenção! Essa seria, então, a comprovação da lógica da imperfeição necessária. Aliás, espera-se ansiosamente o surgimento de algo que leve a cabo as nossas diferenças. Que reduza a ausência da compreensão e da interpretação junto aos nossos pares. Quem sabe, um tradutor automático surgido no mundo tecnológico, capaz de azeitar a comunicação dos  gêneros. Ora, o relacionamento entre seres humanos já convenciona um grande desafio. Imagine se adicionarmos outros atributos que demonstram à complexidade das almas, na diversidade de grupos e espécimes, surgidos a partir dos gritos de liberdade? Gritos que estão afugentando a tradicionalidade dos padrões culturais da soberania masculina e a opressão sobre as mulheres nas derivadas formas de escravidão psicossocial. Gritos variados que lutam e relutam por aceitações sociais! Verdades sofismáveis e fantasmas que perduram em diversas culturas e contextos sociais, como heranças malditas e troféus da ruína e da estagnação da mente humana. Preconceitos que disputam à lógica e a realidade, no mesmo espaço onde a inteligência dá suporte à ciência investigativa e a tecnologia, desprovidas do rancor e com apurado senso crítico. Essas estranhas disparidades culturais, em dimensões adversas, resistem num mesmo espaço e tempo! Entre tantos descortinamentos e revelações, a relação biunívoca, em pares ou duetos, passou a ser insuficiente para acalmar os instintos e a sexualidade. A democracia das almas imputou infinitos emparelhamentos, multiplicando conexões carnais e sensoriais. Enfim, um complexo ambiente para viver, experimentar e sobreviver.  No Brasil, os cálculos populacionais não determinam uma diferença quantitativa acentuada entre homens e mulheres. Pelo contrário! A relação é de quase 1 para 1. Essa proporcionalidade determina que não há  desequilíbrio populacional. Portanto, não haveria motivação aparente que justifique um latente choque, ruptura, luta, exploração ou desigualdade social.

Mesmo assim, uma revolução silenciosa trafega pelas cabeças das meninas. Um movimento emergente de emancipação que segue um exercício diário. Uma metamorfose! Transformações de atitudes e comportamentos. Questionamentos e radicalizações potencializados pelo conhecimento e pelo senso crítico, social e democrático do direito à liberdade. Sem pedir licença! Estopins que intencionam transmutações e que convertem a tradicionalidade, a mesmice, em práticas do passado, aplainando a fórceps os encaixes nas relações e ajustando às imperfeições individuais e coletivas. Sem dúvida, uma reconstrução de dentro para fora. Um enriquecimento espiritual em posturas individuais, possivelmente trazidos pela herança, conectando semelhantes atitudes, em diversos ambientes de luta e de apoio. Max, Augusto Comte, Durkheim e Weber estariam estarrecidos com a evolução feminina, ocorrida nos últimos 50 anos. Um conjunto de alterações que ainda nem deu sinal de cansaço. Atos de assunção e renuncia que se alteram em escala crescente. Posturas que empurram consensos e dogmas para um campo mais democrático, recriando novas lógicas, refazendo conceitos de felicidade, liberdade e fragilidade. Vulnerabilidades espirituais que estão sendo reconsideradas por elas, para dar fluência ao fortalecimento dos ideais. Mas, os homens também estão evoluindo. Nunca se viu tamanha participação e contribuição familiar, assim como nunca se viu tantas mulheres nas ruas, contribuindo com sua força de trabalho.  Quem não capta esse cenário, esquece-se do entorno! A busca por resultados e a maximização da eficiência lastrearam uma resposta em cadeia, exigindo mudanças em tudo e em todos, além da própria mulher. Exigindo do poder econômico e da produção. A indústria de higiene pessoal e cosmética foi fortemente influenciada. Os produtos passaram a adotar níveis de resistência prolongada acima dos índices olímpicos. Nada menos que 48 e 72  horas do mais alto teor de frescor, segurança e proteção total, com ou sem abas. Aliás, o juízo sobre a proteção, também tem recebido forte pressão social. Mudanças  legislativas  têm exigido desdobramentos públicos e políticas específicas. Fruto de uma sociedade impaciente, participativa e atuante contra os alarmantes e brutais casos e índices de criminalidade e violação dos direitos. E se todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, então é necessário aprofundar e exercitar assiduamente tal assertiva constitucional. Princípios que estabelecem que não há papéis específicos ou distinções.  Em suma, tudo isto tem cristalizado uma nova concepção de mundo e uma nova tendência, com uma nova roupagem feminina. Um aguerrido senso libertário, anarquista, revestido da busca pelos direitos e uma maior blindagem psicológica.  Nasce uma Joana d’Arc a cada minuto!

Mas, nem tudo pode ser considerado vitória. A mulher é susceptível à armadilha dos seus próprios encantos. No jogo do erotismo, a erotização tem ultrapassado limites questionáveis, confrontando objeto de desejo com liberdade sobre o próprio corpo. Sugere uma linha tênue entre o limite do domínio e da exposição em confronto a uma possível submissão continuada ou disfarçada, onde o velho modelo imperativo do capital encontra plena sintonia com a imagem útil, inclusive disponível  à exploração nas diversas formas e evidências. Procura-se o melhor enquadramento da dignidade. E procura-se novamente o culto ao respeito, sem submissão ou temor. Nas atitudes diversas, sobretudo nas atitudes masculinas, para garantir uma convivência saudável. Ao mesmo tempo, é imperativo desmistificar o desnível  imputado às mulheres, inclusive na contrapartida financeira que reconhece seu  esforço e capacidade produtiva, atribuindo, contudo,  deficiência na igualdade de gêneros.  Talvez, estes sejam os últimos descompassos a serem mexidos e vencidos. Algo que requer refinamento para balizar uma nova prática social, sustentada por virtudes, valores e condutas.  Nada que permita extinguir a gentileza e a civilidade. Nada que permita uma disputa desenfreada, entre mulher maravilha e super-homem. Nada que destrua as pontes já construídas sob pesadelos, na coragem, no sofrimento e nas afirmações, com objetivo predeterminado à plena libertação. Sem rédeas e sem amélias.  Onde o amor será provavelmente a fonte inspiradora e pacificadora da vida para ambos. O amor da  conexão terrestre e divina. Afinal, somos apenas criaturas domesticadas e imperfeitas, que buscam nas vicissitudes, aproximações  e acasalamentos, tentando vencer os tormentos, as angustias e fraquezas.

Crônica Social: Mutantes e Messias

SAM_3983elaborado por Fernando Cássio, em agosto de 2015

Marte e Saturno estão bem mais próximos! A tecnologia intencionalmente provocou isto! O céu, as estrelas e os astros sempre fizeram parte dos nossos sonhos e fonte dos nossos desejos. Ao investigarmos o infinito, procuramos por esperança. Quem sabe, um ser extraordinário. Alguma espécie de outra ramificação ou patamar com qualidades e riqueza suficientemente superior para nos ajudar. Para contribuir com a melhoria da evolução humana. Alguém que traga novas respostas e soluções para os problemas existenciais desse mundo. Entretanto, aqui na terra, especificamente no Brasil, carecemos de maior urgência. Procuramos sobreviver e nos salvar do caos social instalado, das especulações políticas e do raciocínio lógico que demonstra uma realidade perturbadora e assombrosa. Procuramos por desfechos que não sejam provenientes de qualquer estrela cadente, muito menos dos seres mutantes. Não há empatia para aturar gente comum com poderes especiais e vantagens acima da razoabilidade. Não estamos em busca de semideuses ou super-homens transfigurados, representados nas imagens de políticos, sustentados por ideologias superficiais. Aqueles que criam e se alimentam das crises, tirando proveito dos destinos, dominando espaços onde há baixa interferência, mesmo que haja pressão popular. Aqueles que alteram propósitos, princípios e fundamentações ideológicas e suas próprias convicções com a mesma rapidez e eloquência dos discursos. Ludibriando e manipulando interesses coletivos, no intuito de alcançar vantagens e atender seus próprios interesses, custeados por grupos econômicos que rasgam o senso da nacionalidade e patriotismo. Estes são os mutantes! Se amoldam, conscientemente, nas conveniências capitais, arrastando agregados seletos, entre assessores, gestores públicos e fornecedores.

Vivenciamos este contraponto celestial. Entre divindades humanas, crises e esperanças. As investigações que se apresentam e se sucedem no noticiário brasileiro, sobre ilicitudes e o crime organizado, são estarrecedoras e impactantes, inclusive em valores nominais astronômicos, estratosféricos, que nem mesmo, as investigações e os achados científicos sobre o universo conseguem surpreender ou superar igual audiência. O suspense político tomou conta das ruas e chama a atenção popular. Desdobram-se em casos e evidências policiais. A cada novo capítulo surge novas emoções. Histórias sobre histórias que vão deformando a nação, clarificando a criminalidade instalada e desmontando as relações de convivência pacífica. Projeta-se uma ficção da ordem. Uma decadência. Várias crises numa só – crise de moralidade, crise econômica e crise política. Um caos generalizado. Um filme diário que trata do cenário de conflito e da tensão sobre a realidade brasileira, cujos atores somos todos nós, misturados aos bandidos que ocupam as esquinas, os cargos e as perspectivas. Um momento que demonstra o distanciando das classes sociais, do governo central e dos ditos representantes populares. Um país que virou um filme diário de horror. Um drama nacional que se acentua, de forma crescente e gradativa, nas dificuldades financeiras e sociais, em decorrência da poder inflacionário, da queda da produção, dos desacertos nas diretrizes econômicas, na ineficiência das políticas públicas, no descrédito, na desconfiança e na falta de exemplos e boas práticas. Acumulam-se as vítimas! Destaca-se a ingovernabilidade! Extingue-se a legitimidade! E todos passam a procurar por um Messias, inclusive o governo eleito.

É constrangedor verificar a tentativa de embaralhamento dos fatos, contribuindo, de uma forma ou de outra, para apaziguar este momento, atenuar as ilicitudes e abrandar os feitos negativos, bem como os atos praticados pelos réus – civis e com foro especial. Mas, o tema principal tem tipificação certa. Quando se utiliza o poder para o enriquecimento ilícito, criando um modelo de empreendimento, paralelo e secreto, com ampla ramificação hierárquica e gerencial, com sólida estrutura operacional para desviar e consumir recursos públicos, então isto se chama máfia. Um poder paralelo dentro do poder do Estado. Atuando em sintonia ao poder público. Imaculando as regras sociais. É crime da maior gravidade. Tem intensidade e pedigree. Ocupa outra dimensão. Se não bastasse, concomitantemente, há uma tentativa governamental de enaltecer ações em benfeitorias de cunho social, na igual tentativa de desviar os olhares e ludibriar a massa. Anestesiar a população! Gente que atua no crime e simultaneamente apresenta um discurso religioso do bem fazer. Que acha que o processo eleitoral apaga seus males. Que rouba, mas faz. Tudo isto é funesto! Fatal para qualquer sociedade. Para a democracia. Será que estamos perdendo o padrão mínimo moral? Aquela régua que identifica e manda frear os pecados que contaminam as gerações, as pessoas, as atitudes e toda a coletividade? Quem não enxerga isto perde-se nas abordagens, nos princípios e passa a ser conivente com os mutantes.

No Brasil, enquanto as atuações políticas e dos gestores públicos se esmeram nas artes cênicas, reproduzindo expressões idiomáticas repetitivas, próprias para justificar as incompetências, as ineficiências e os baixos resultados, a sociedade refaz a esperança e direciona foco para outras questões. O senso crítico da população tem evoluído. Instintivamente passamos a compreender parte deste universo de erros para garantir nossa própria existência. Ampliamos as críticas e reprovações sobre a má condução do ambiente público, dos serviços precários e a má conduta dos políticos e suas casas legislativas. Há uma impaciência crescente e generalizada! As práticas das inverdades e falácias produzidas durante os processos eleitorais e executadas durante as jornadas executiva e legislativa não estão sendo suportadas e despercebidas. E já surgem focos de insurgência em várias cidades, combatendo os excessos e as irregularidades, através da energia que emerge unicamente da população insatisfeita. Um movimento apartidário e comunitário. Apoderando-se do desejo de dominar as ruas e resolver os erros. São focos de justiça com as próprias mãos. Por outro lado, alastra-se o individualismo e o oportunismo, próprio do cenário de guerra e pós-guerra.

Porém, precisamos acreditar em dias melhores. Precisamos resgatar a intelectualidade caracterizada pela centralidade da ciência e da racionalidade crítica. Precisamos construir um movimento neste sentido. Não podemos crer na construção sem um direcionamento ou liderança. É trilhar por um caminho perigoso! Neste sentido, quem será o novo Messias? Quem será o mentor da nova ordem social de paz, de justiça e de liberdade? Quem terá a capacidade de conduzir o desejo coletivo de reconstruir esta nação? Quem, de forma legítima, poderá liderar uma assepsia política com a reformulação desse modelo e de todos os outros? Quem guiará este povo pela aridez dos problemas, inspirando confiança até a chegada da terra prometida?

Os ventos sopram fortemente, anunciando tempos de tempestades eletrizantes. Enquanto isto, vamos regulando o telescópio da razão para calibrar a busca pela solução brasileira. Rezem pela paz roubada e pelo fim da violência. E rezem para que se mantenha o rigor, desmascarando os mutantes até a chegada do novo Messias…….

Crônica social: Tempos de Guerra e Bruxaria

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Fernando Cássio, em agosto de 2015

O Ministro da Defesa Jaques Wagner, ex-governador petista da Bahia,  assumiu, nos últimos dias, a tarefa de representar a Presidente Dilma  e ser o seu principal emissário, noticiando o provável processo de  mudança na administração pública, cujo objetivo é a redução dos ministérios.  Já seria uma surpreendente audácia trazer um chefe, responsável pela coordenação das três Forças Armadas, para falar sobre gestão pública, no lugar do Ministro de Planejamento ou do Ministro da Casa Civil. Sem dúvida, um contraponto que nem as mais brilhantes escolas de administração conseguiriam justificar.

Porém, alguns desatentos e curiosos cidadãos não alcançaram o recado subliminar. Ora, o governo precisa de defesa! Encontra-se entrincheirado. Precisa utilizar armamento pesado para soerguer-se e novamente ocupar de forma positiva a mídia. Mas, invariavelmente têm perdido batalhas neste campo. As estratégias não tem surtido efeito. Necessita, pois,  utilizar de novas estratégias e manobra tática militar, na contra ofensiva aos jornalistas, contornando as alas das posições inimigas. Em apenas 07 meses de existência já perdeu a legitimidade e padece do distanciamento e do apoio popular, além do distanciamento dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário), que estão com olhar atravessado, perplexos e receosos com as últimas investigações e resultados do Ministério Público Federal – MPF. Nessas horas, inicia-se a formação de uma roda de curiosos, apenas no intuito de acompanhar os últimos suspiros do “semimorto” que agoniza. Neste caso, uma das vítimas seria o próprio governo, da Dilma, que destoou entre promessas, eficiências e engodo.  As outras vítimas nossos nós.

Mas, o Ministro, que não é militar, nem infante, nem mesmo conhecedor profundo da área militar, caberia discorrer exclusivamente sobre isto em cômodo tempo de paz, porém assumiu essa outra árdua tarefa paramilitar. Como explicar o movimento passivo da dívida pública, quando a trajetória foi impulsionada apenas com o aumento dos juros, calibrados em 14,25% (o maior nível em 09 anos), gerando um déficit adicional, até o final de 2015, no montante de 200 milhões de reais, se a pretensa economia com a redução duvidosa dos ministérios, alcançaria apenas duvidosos 8 milhões. Nem mesmo o Instituto Militar de Engenharia saberia conduzir tal abordagem, na imprecisão das hipóteses.  Tempos de crise! De estimativas mal elaboradas. Comandos e ingerências. Tempos de previsões futuristas e práticas do ocultismo. Talvez, tempos de Harry Potter.  Mas, por azar, ou não, ainda não existe o Ministério das Bruxarias.