Crônica social: Quem será o melhor amigo do homem?

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cao2por Fernando Cássio, em maio de 2015

Quem poderia expressar maior nível de dedicação servil e bajulação? Quem por vezes fica inquieto, distante ou aparentemente mudo, mas apenas sua presença condiciona uma aparente segurança? Quem permaneceria por mais tempo grudado junto ao dono, inclusive nas horas mais difíceis, subserviente, dependente e dominado, aguardando um comando? Quem acompanharia de perto os passos e as decisões, quase percebendo, por transmissão de pensamento, tudo aquilo que você almeja? O mundo gira e as inventividades alteram o curso das nossas vidas, inclusive os conceitos filosóficos e as movimentações sociais. Quem imaginou que o melhor amigo do homem seria o cachorro errou feio! Apego canino faz parte do passado. Quem imaginaria um objeto do tamanho da palma da mão, roubando a cena e a propriedade, que historicamente pertencia exclusivamente aos mamíferos canídeos? Ninguém poderia prever nada igual! Este espaço foi tomado de assalto pela tecnologia que criou o aparelho celular, cuja versatilidade venceu a disputa pela atenção humana. E mais precisamente o cobiçado “smartphone” (tradução literal de celular inteligente) que estabeleceu um novo marco na manifestação cultural da sociedade, impondo novos costumes e cacoetes associativos. Há de convir que algo mudou drasticamente neste planeta!

Cheio de funcionalidades, também atua como um ímã e um radar, simultaneamente, capturando e explorando o entorno do mundo, em nome do seu proprietário, muitas vezes por vontade própria, sem consentimento, antecipando múltiplas conexões com variadas coisas e tantos outros dispersos transeuntes, organizados informalmente em comunidades eletrônicas de interesse, partilhando fileiras intermináveis de informações. O ápice dessa radical mudança surgiu quando alguém entendeu que as coisas podem e devem interagir, assim como os humanos fazem, com a maior naturalidade. E chegaremos, no futuro bem próximo, como exemplo, quando a geladeira, a mercearia e o fogão estarão trocando ideias e informações, comandando a cozinha, sem interferência humana, fortalecendo o movimento feminista e rasgando definitivamente o modo de fazer as receitas, no antiquado modelo das vovós. Então, conectividade é a palavra de ordem! Mas nem tudo é perfeitamente pleno ou completo. Eles ainda são frágeis! A “criptonita” são os governos que debilitam as fantásticas e indescritíveis engrenagens digitais! A falta de sinal é a porta dos desesperados! Na maioria das vezes os celulares respondem por pesadas penas e críticas, quando tentam circular pelos invisíveis caminhos digitais, nas trilhas esburacadas da burocracia que mantém a infraestrutura das comunicações estatais. E aí, não há conexão ou aparelho que garanta desempenho absoluto! Pensando nisso, os fabricantes, em parceria, já estão desenvolvendo soluções próprias, que vão desde balões aos satélites particulares, sem a anuência ou participação das doutrinas ideológicas.

Exacerbando o direito da visão dualista, quase sacra, os smartphones, mais eficientes do que os chaveiros suíços e os escoteiros, possuem a seguinte composição: (a) corpo – elaborado com a preocupação do design competitivo, em redesenhos evolutivos captados psicologicamente nos desejos e na atração visual, adoçando a lucratividade através do apelo comercial de intermináveis versões; (b) alma – nos softwares aplicativos (APP) desenvolvidos e instalados diariamente para legitimar o elo entre as necessidades e carências humanas, ampliando o apego, a aproximação e a dependência; e (c) espírito – quando a tecnologia, em transe, alcança vínculos com outros no além, como um fenômeno mediúnico, um ritual de pajelança, umbanda, colocando em sintonia e em rede sentidos afins. Desta forma, explica-se, fundamentalmente, todo o ritual que envolve este conhecimento tecnológico.

Eis que todos os sentidos estão convergindo para um único ponto em comum. Ver, ouvir, sentir e falar estão sendo miniaturizados, acondicionados e empacotados nestes aparelhos. Não haverá nada que não possa ser mexido, cutucado, acionado, desligado, conectado ou abrangido, apenas por uma sequência de teclas ou pelo apelo do dedilhar dançante, simulando a execução de uma música na viola. Já não há mais descanso ou privacidade, nem mesmo na hora do banho. Estes bichinhos, que se tornaram aquáticos, atrelados à teoria darwiana, já acatam as profundezas e o infinito do céu, sem cerimônia diante da pressão atmosférica e outras interferências tradicionais. Porém, a privacidade perdeu seus segredos no advento deste dedo-duro, fuxiqueiro e entregador virtual. Vários problemas de separação já foram causados por uma mensagem não apagada ou um ângulo de foto não intencional, enviada para um endereço mal endereçado, na hora do pileque ou na desatenção provocada pelo capeta. Problemas sociais e prejuízos que afligem a todos (e a todas). Algo imperfeito, que requer adequação e melhorias! Quem sabe um APP que remonta a tela e os últimos comandos, quando o GPS localiza a aproximação de um dos cônjuges. Caberia aqui uma risada nossa, coletiva, se não fosse o drama que te persegue!

A invasão silenciosa do “tamagotchi” dos tempos modernos cria modismos e sequelas, infectando o vírus da dependência, como uma droga sintética. No passado, as mãos que viviam ocupadas pelos bolsos e no exercício do movimento educado da sinalização entre chapéus e sombrinhas que se cruzavam, deram espaço às chaves, que logo depois foram substituídas, exclusivamente, pelos celulares, quando não há organizadas sacolas em jogo. Isto implica em dizer que as pessoas reduziram a possibilidade de se dar às mãos, fortalecendo e ampliando apenas a sobrevivência solitária, atraídos pelas facilidades do mundo secreto, procurando outros tantos, com a mesma carência. Essa inversão criou um segundo mundo, em paralelo, e uma nova pele, para cada indivíduo, hipnotizados e atraídos pela procura incurável desse ambiente. Observam-se novos cacoetes e manias, visivelmente detectáveis, onde diversas pessoas circulam, gesticulando isoladamente, travando diálogos acalorados, sem que haja ninguém ao seu lado, senão os destacados fones de ouvidos embranquecidos. Outros tantos, caminham obedientes e cambaleantes, ocupados e desatentos com o cotidiano, perseguindo somente as pistas e rotas traçadas, como se estivessem sendo controlados pela máquina que os levam adiante. Uma tendência da sociedade. Quem sabe, um provável e largo passo para a idiotização ou robotização das mentes, anteriormente livres?

No Brasil, em março de 2015, foram comercializados mais de 283,4 milhões de aparelhos, cuja densidade é de 1,38 celulares por habitantes e uma projeção anual de quase 10 bilhões de unidades para serem consumidas. Venerados por várias correntes, entre usuários de todas as idades e crenças, envolvendo comerciantes, tecnólogos, projetistas, fabricantes, desenvolvedores e gente comum. Nada ou ninguém se compara em volume de interesse, foco ou convergência. Por sinal, você já parou para verificar quantas horas consegue ficar ausente, sem a sua mascote eletrônica? Reflita! Embora disponha da qualidade de aproximar, da maneira mais distante, interconectando pessoas, esta invenção, dita escravizante, na visão maniqueísta, carrega uma dualidade, quando permite criar relações biunívocas, de um para um e não de um para todos, no contraponto dos interesses comerciais, entre o capitalismo selvagem com o senso exacerbadamente coletivo do socialismo, onde possivelmente nunca haveria de ser produzida ou fabricada. Porém, individualizando, elevando, exacerbando e transportando emoções, de quebra ainda faz ligações, na medida do possível…..

Crônica social: Sombras e Saúde Corporativa

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por Fernando Cássio, em março de 2015

Vivenciar um ambiente corporativo exige estômago e energia, inclusive porque viver em grupo já é um exercício natural dos contrários, colocando em cruzamento pensamentos e desejos, díspares ou nem sempre iguais, exigindo o exercício diário da democracia no cotidiano de simulações e jogos que colocam as relações em evidência. Assim é na família, assim é em todos os recantos que transcorrem os relacionamentos de toda a ordem. Porém, nos ambientes funcionais exige-se uma uniformidade de princípios e comportamento. Uma ética, com foco específico! Exige-se sintonia e diretrizes. Equilíbrio na balança dos conflitos organizacionais, além de equidade.  Acima de tudo, há de existir propósitos, de forma que as forças de trabalho individuais sejam conduzidas para uma sinergia, convergindo para um único fim. Este é o esforço de cada liderança, seus executivos e envolvidos.  Possivelmente o sucesso da equação corporativa será positivo, caso haja garantia na força de coesão e nos engajamentos, que resultam de comprometimentos recíprocos e confiança. Acima de tudo, um desafio que deve ser incansavelmente praticado!

Enquanto no ambiente privado os processos são constantemente avaliados, exigindo-se eficiência e aderência à produção, com o marketing alavancando resultados e compromissos com a sobrevida dos negócios, no mundo governamental, porém, há uma inversão na aplicação de conceitos e dedicada atenção com outras questões nem tão relevantes com a dinâmica e com os resultados.  As iniciativas que propõem mudanças recebem alta carga de resistência, são fragilizadas e elasticamente acomodadas, assim como a produção e as perspectivas, quando os programas de governos imprimem ordens descontinuadas e exigem a anuência de gestores, que são capturados pelo domínio da propriedade momentânea da máquina pública, sem que haja as devidas preocupações com a hierarquia, confrontando, muitas vezes, interesses de Estado com interesses de governos e sem que haja, em muitos casos, alinhamento e endosso com os processos e com as pessoas.

Nota-se, inclusive, uma aparente acomodação da máquina pública diante dos estilos gerenciais trazidos pelos modelos ideológicos que ocupam o poder ciclicamente. Porém, mergulhando nas entranhas das máquinas públicas estaduais e municipais, observa-se a ausência ou a disjunção de instrumentos primários de planejamento, controle, monitoramento e avaliação, sem razão aparente para esta ineficiência histórica.  Esse contumaz vazio contamina, com naturalidade, a gestão, os agentes e as tentativas de avanços, abafando o desejo de alteração da realidade. Uma prática inadvertidamente nacionalizada, que possivelmente facilita os conluios, negociatas e contravenções! Num mesmo efeito cíclico, repetem-se erros e desacertos, consumindo recursos financeiros e humanos. Surgem novas ideias velhas, sem a preocupação com a reedição. E imprime-se uma excelência superficial e incompleta, entre práticas, modelos e metodologias de mercado, que carecem da seriedade para serem conduzidas adiante.      Por fim, o marketing é escalado para fantasiar e colorir resultados semiacabados, na maioria das promessas, ditas ideológicas. E, apenas ao término do ciclo de quatro anos, na iminente e preocupante avaliação eleitoral, minimiza-se o confronto dos feitos políticos, sugerindo um processo de trocas, onde o clientelismo eleitoral, os candidatos, os agentes financiadores e a fome imediatista do eleitorado se encontram, creditando novos ciclos ao poder. Nessa forma incomum de agir e gerir deturpa-se toda uma cadeia produtiva – pessoas, cultura, herança e processos.

Neste confuso cenário excetua-se apenas o órgão de controle externo – os tribunais de contas, na medida em que exercitam solitariamente o desejo constitucional de ver fortalecido o mecanismo do “Estado Brasileiro”, à luz do trabalho de caráter preventivo e orientativo sobre normas, práticas e metodologias internacionais. Mas, considerando algo em torno de 5.500 entes municipais e 27 entes estaduais, distribuídos em 03 poderes, nos diversos níveis de estruturas deficitárias, há de convir uma insipiente ação de auditoria para o universo em apreço. Suscita-se, por consequência, um desdobramento: em função da paralisia e da ferrugem que acometem as administrações públicas, os tribunais estão implantando sistemas de informações próprios, alcançando mais rapidamente as esferas públicas, no intuito de ampliar a responsabilização em tempo real e a plena eficácia da gestão. Com essa intenção, verifica-se uma perda gradativa de autonomia dos controlados e uma forte tendência para a extensão de domínio do controle eletrônico, alcançando variados segmentos do ambiente público.

Mas, enquanto a saúde corporativa está intrinsecamente vinculada à saúde mental, ambas permitem aflorar furtivamente enfermidades, que estarão destruindo lentamente as estruturas – individuais e coletivas. E se, por um lado, o assédio, nas suas diversas formas (moral, sexual, processual, psicológico), as negligências e os descasos (na configuração do desrespeito ao ser humano, ao profissional, suas experiências e habilidades e na aplicação injusta das regras) acometem, criando malefícios, indistintamente, sobre qualquer organização, outros fantasmas incomuns percorrem, exclusivamente, os corredores públicos.  O que dizer das intenções nas políticas de RH, mal elaboradas, não definindo aplicações em quantitativos, carreiras e  trilhas, desalinhadas dos processos? O que falar dos regramentos impostos sobre alguns, se há uma nítida ausência de regras para outros?   O que dizer dos descontentamentos proporcionados pela ausência de critérios ou pelo desprestígio da produtividade e dos méritos?  Como tratar a obediência servil, enraizada pelo clientelismo, que pratica normalmente a injustiça, que exercita a deslealdade e rebate ou ofusca a meritocracia? Como combater as frustrações e a infelicidade generalizada, num ambiente depressivo, onde há licença indireta para matar as expectativas? E por fim, o que dizer das doenças corporativas, acentuadas pela miopia e pela inércia?

Eis que, mesmo assim, em vista do desarmonioso e tedioso ambiente doentio que possivelmente podem se transformar às instituições, ainda floresce o capital intelectual, o conhecimento e os talentos, forjados possivelmente sobre outras óticas. Prováveis combatentes que afrontam  e não se deixam induzir pelas degenerações e decadências, que colhem parcerias para a manutenção da mesmice funcional. Porém, tantos outros, declinam, abatidos durante a trajetória ou abandonando as trincheiras, descrentes e pressionados pelas lesões e cicatrizes.

Crônica social: Alice no país das maravilhas e o primitivismo social e político

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por Fernando Cássio, em março de 2015

Dicotomia e dualismo perseguem a realidade na medida em que as fantasias ocupam o mesmo palco, provocando visões distorcidas sobre posturas e cegueira sobre fundamentos filosóficos.  Preocupações massivas que atingem as fronteiras do universo. Se, sob a égide dos investimentos, pratica-se a criatividade humana aliada ao desenvolvimento tecnológico intensificando investigações científicas na busca existencial em outros planetas, simultaneamente, pratica-se investigações criminais  na tentativa de prospectar, aqui mesmo na terra, a dádiva das fortunas decorrentes de condutas criminosas que geraram vultosos investimentos financeiros em paraísos fiscais, aflorando e prosperando ilicitudes germinadas em solo brasileiro, condensando um questionamento cotidiano: “o crime é normal e compensa?”.

A dualidade persiste, enquanto milhares de pessoas ainda não acreditam que o homem pairou sobre a Lua, assim como não acreditam que não há qualquer ato de violação  e indício de desvirtuamento de conduta,  imprudência, negligência e imperícia, acometida e associada, como agravante, no exercício comunitário do poder central do país. Estranhamente, que país é este! Urge, adiante, uma sagaz dúvida: foi roubo ou furto? Ainda assim, recai sobre a justiça dos homens a cruel missão de estabelecer as provas e desfazer os descaminhos tortuosos, enquanto se multiplicam afirmações negativas em semblantes cínicos, representativos de contraventores, num propenso descaramento nacional.  E a dualidade não para por aí! O poder de polícia também se confunde com o poder da contravenção, na medida em que ambos ocupam o mesmo espaço territorial, alternando interesses partidários com interesses de Estado, lesionando e contaminando, inclusive, agentes públicos de carreira, na feição de atos de prevaricação ou na ausência de instrumentos para o combate. Em sintonia, há notadamente um esforço no sentido de ludibriar a população, desordenada e  já atônita, usando o marketing positivista, incutindo boas notícias e boas ações sociais, entre feitos inacabados e ações minimizantes, enquanto os lastros e a paciência vão sendo consumidos gradativamente.

Bem próximo dali, as falas e os contorcionismos praticados pela classe política também mantém um dualismo existencial: todos praticam o fisiologismo, no desvirtuoso emaranhado onde atuam, entre doações de campanhas eleitorais, dívidas e dúvidas morais e práticas para satisfazer conveniências, antecipadas em empréstimos e acordos sem anuência pública, corroídos pelo próprio ambiente e pelo sistema imposto, sem que haja espaço para o contraditório e a reengenharia.

Afinal, em qual mundo nos enquadramos? No conto de fadas passageiro criado pelos governos, acentuado nas diversas páginas que envergonham a ética e as virtudes e reforçam a urgente evolução, ou na realidade cruel das esquinas, nas teias que matam diariamente desavisados e desatentos?

Ao contemplar a prática deste jogo duplo, retornamos à essência e à natureza humana. Exacerbam-se as aspirações por necessidades básicas de subsistência, essenciais à vida, alcançando a segurança mesquinha e o poder solitário. Em milhões de anos, ainda mantemos os mesmos instintos primitivos, com pouca evolução. Para Platão, Max, Freud até Sartre, a natureza humana busca somente a essencialidade e alimentação da alma, nas relações com outros da mesma espécie.  Porém, para a Polícia Federal –  PF, o MPF e o STF subsistem outros valores. Entre ausências e pré-falências, mantemos o funcionamento sofrível com a dominação da violência de toda ordem e grandeza. Aquela que congela e impossibilita o descolamento da nossa própria origem.  Um país democraticamente jovem, com a alma e a herança de costumes de uma velha senhora (corrupção), que insiste no engessamento dos sonhos e dias melhores, disfarçando a vida nas ilusões diárias.

Crônica social: Quem está blefando?

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blefeMJpor Fernando Cássio, em dezembro de 2014

Poderia ser inofensivo ser não fosse trágico! Talvez, apenas uma lamentável conjunção aos olhos de quem está fora do país ou fora de órbita. Um vultoso desastre sem proporções calculáveis para as gerações em formação. Esta é a conclusão que antecipo sobre o Brasil. Entre fatos e atos praticados em nome do interesse particular de grupos passageiros – inquilinos do poder, e de tantos outros que almejam igual destino e espaço, somos colocados à prova e obrigados a conviver com um cotidiano incerto, cercado de falsas verdades, ilusionismo e desvios morais, impondo uma tendenciosa e insensata deformação social. Mas, que tendência seria esta? A propriedade da tolerância à corrupção e ao descaminho, absorvendo os consequentes danos. Uma porta entreaberta para a perversão produzida em várias matizes. Uma aceitabilidade coletiva quanto à normalidade do erro e a transgressão da moral, na intensidade que vier. Na mais recente operação contra o crime organizado, novamente surgem vários integrantes do atual partido político no governo, envoltos como autores e coautores no desvio estimado em mais de 10 bilhões de reais, cerca de 4,2 bilhões de dólares. Porém, este número ainda parece ser insuficiente para causar frisson ou movimentação social. Estamos acatando fatos dessa natureza como sendo convencionais e normais. Quem sabe o excesso diário nos telejornais tenha neutralizado o espanto. Ou esperamos pelo pior! Mas o que poderia ser pior? A sociedade está pasma ou complacente? Quem sabe! Se não bastasse, o país vive uma guerra, não declarada ou constituída, atravessado por balas perdidas, consumo e movimentação de drogas e assassinatos urbanos, sem investigações conclusivas e sem um confronto e uma ação política de cunho nacional. Do outro lado, uma generalização da corrupção em vários níveis e alcances, com ilicitudes e desvios incontáveis de recursos públicos, massivamente expostos. Neste infernal cenário lamentavelmente todos nós, indistintamente, vamos sendo arrastados, ancorados pela falta de selo e pela prática da ilusão nacionalizada, sem que haja uma zona de conforto, pois a qualquer momento, em qualquer lugar, alguém estará à mercê da banalização e da agressão e das consequências danosas, ratificada no radar  da incompetência, da violência e da ineficiência.

Nesta caricatura de sociedade, os partidos políticos ampliam seu poder de transformação destrutivo, ocupando, transformando e criando dependência para o Estado, atuando em duas movimentações síncronas. Enquanto de um lado, uma mão disfarçada de senso público tenta propagar avanços sociais, maquiando percentuais e números para caracterizar avanços, a outra mão, ao mesmo tempo, consagra o pensamento mesquinho e oportunista, subvertendo descaradamente os valores e o resto das qualidades de um povo,   surrupiando direitos e construindo vantagens para alguns. Políticos e suas ideologias sem consistência, ocupam a geografia das nossas vidas, misturando conceitos de “Estado” e de “Governo”, tentando alterar e ludibriar estruturas sociais, conceitos e a própria história, sem que apresentem qualidade e credibilidade para tal. Gente que se arvora do direito democrático do voto, manchando procurações assinadas em branco,muitas vezes com o próprio sangue do eleitor,  inclusive com a anuência dos demais poderes constituídos. Mas, afinal, quem estaria blefando?

Acho que todos nós! Eu, você e todos que compõem esta sociedade e uma nação sem sustentação histórica do caráter. Sem uma formação baseada em lutas que, notoriamente, provocariam uma faxina e uma melhor qualificação do DNA da nossa formação. Não somos alicerçados pelas conquistas empunhadas nas espadas de verdadeiros heróis nacionais, que deixaram suas vidas nos campos de batalhas à serviço da coletividade. Nunca tivemos gente assim! Entretanto, entre leis e criminalizações brandas, o desfecho do nosso ideário é a caos moral, a fadiga das instituições, a adulteração da linha imaginária da conduta, a falta de retidão, a lentidão ou ausência de processos de reforma moral, a cleptocracia, a desordem e a ampliação generalizada, gradativa e permanente das transgressões, produzidas em diversos ângulos sociais e por agentes de todas as classes e representações, em função de uma só métrica institucionalizada e justificável – a impunidade e a desconfiguração da ética. Sem ética, instala-se a forma mais decadente de disfarçar a falta de senso coletivo e a irmandade. E estamos diante deste cenário. Paira uma insegurança e uma incapacidade, sem energia para um novo direcionamento nacional, onde talvez, poucos enxergam esta problemática. Assim, há de se esperar uma catarse, sem prazo e sem a chave da sua ignição! Mas, até onde erramos? Não percebemos a corrosão dos limites ou aprovamos o desvio proposital na delimitação das regras sociais? O certo é que vivemos tempos de excesso – de corrupção, injustiça, ilegalidade, e acima de tudo, indulgência. Uma tolerância e uma hesitação que ativa a falência ou a falta de ética. Que descaracteriza os valores e virtudes. Que reduz a liberdade, a paz, a justiça e o próprio sistema e identidade moral de uma nação. Nos tornamos um aglomerado irracional de indivíduos em luta por interesses particulares. Perfeitos fratricidas. Sem ética não há coesão moral e social. Não há caminho seguro. E talvez, nem haja caminho. Não coexiste uma Nação. Afinal, quem está blefando?

Crônica social: Academia de Letras ou Academia de Músculos?

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ccpor Fernando Cássio, em novembro de 2014

Quem cuida da mente, deve cuidar do corpo! Este era o ditado desenhado num grande letreiro, sempre bem mantido, que ficava diante do pátio de formatura do Colégio Militar do Recife, situado na rua Benfica. Foi a forma de fixar tal importância na formação dos jovens daquela época. Muito antes de surgir as academias, como centros de estética e apelo comercial, apenas os militares, esportistas profissionais e fisiculturistas resguardavam tal empenho. Porém, em Recife, o lendário Carmelo de Castro (http://carmeloperfil.blogspot.com.br), que em 1969 já despontava no 1º Campeonato Brasileiro de Musculação, antecipava uma nova onda de modismo e saúde. Em 2014, o  Brasil já é o segundo colocado em número de academias, perdendo apenas para os EUA. Em 2012 foram contabilizadas 22 mil unidades e 6,7 milhões de adeptos. São Paulo e o Distrito Federal aparecem como campeões nacionais em quantidade de academias e uso de academias por habitantes, respectivamente. Volumes crescentes exponencialmente, transformando investimentos anabolizados com alta lucratividade. As academias, antes simplórias e acanhadas,  estão evoluindo para grandes e espaçosos centros de estética, beleza e práticas de esportes, como alternativa também para a falta de espaços públicos e a falta de segurança. Mas, não é só isto. Estes ambientes, cheios de recursos e criatividade para exercitar grupos musculares, como gaiolas de hamster, também impulsionam outro importante movimento – a sociabilização. Gente ligada em rede, a partir do cuidado com o corpo, que por consequência, passam a manter relações informais, comerciais, de negócios, de amizades, inclusive pré- acasalamentos e novos ajuntamentos. Nessa minha maratona de assíduo praticante, de 06 dias por semana, além de deixar muito suor e desenvolver uma intensa energia física, também exercito a arte da observação do cotidiano, que passo a dividir somente com você, a partir de agora.

Basicamente 03 públicos distintos e instigantes comparecem a estes ambientes, cheio de luz dançante, refrigeração e um volume musical só comparado as boates e danceterias: (i) os viciados, que passam horas entre espelhos e pesos, procurando uma melhor ângulo e uma silhueta nunca satisfatória, adeptos das formulas mágicas para crescer aqui e acolá, entre esforços e tensões; (ii) os fieis, que comparecem e atendem aos propósitos estabelecidos nas cartelas indicativas de séries e movimentos repetitivos, mesmo não participando ativamente da maratona de produtos e exercícios simultaneamente, mas que ainda assim, realizam o chamamento das dores, como seu parceiro diário, aguardando ansiosamente o desabrochar dos músculos, sem esteroides; e finalmente, (iii) os ateus, incrédulos contaminados pelo desanimo e pela empatia, que se colocam em xeque diante dessa movimentação e pressão, mas que utilizam, de forma moderada, os aparelhos e mais ainda os inseparáveis celulares, exercitando a liberação das cordas vocais, entre prolongadas conversas que garante a consciência do dever cumprido. Fora estes grupos, há também os casos excepcionais. São àqueles que se destacam da multidão, entre qualidades e esquisitices. São comumente detectados pela roupagem, pelo conjunto físico, pelo carisma, pela nível de perturbação, com posturas próprias e atuantes. Ao visitar um centro de treinamento, sempre haverá alguém com um fone de ouvido exageradamente maior que os demais, uma fantasia em forma de plumagem ou pele de onça, uma combinação desencontrada de cores e padronagens, uma apresentação de malabarismo, contorcionismo ou acrobacia, inclusive no solo e aérea, gente bufando, gigantescas criaturas ou raquíticos, além de gente com uma alegria incomum. Gente que a gente se pergunta: de onde saíram? Bem, pelo menos, tenho uma certeza: ainda não vi ninguém com cacoetes. Pode ser um bom sinal que representa a qualidade dos praticantes. Doidos camuflados, como acontece na vida e em qualquer lugar. Mas, acima de qualquer brincadeira e humor, vejo uma capacidade incomensurável de força de vontade e dedicação. Horas à fio em busca de ultrapassar desafios próprios e limites solitários. Um somatório de energias em nome de algo maior – a qualidade do corpo. Um ambiente que respira uma áurea de conquistas particulares, que é buscado em muitas empresas públicas e privadas, sem sucesso. Não existe nenhum outro alugar com tanta empolgação, energia e foco. Se pudéssemos empacotar ou concentrar em forma de elixir, a venda seria um sucesso e para vários males.

Antes de qualquer coisa, o iniciante que deseja perseverar, deve tomar uma única e precisa decisão – mudar e investir em novas atitudes. Drasticamente e rapidamente. Mudar, principalmente, hábitos! Malhar exige dedicação, concentração, regularidade, introspecção e paciência. Não adianta apenas comparecer e fingir, para si, que atende aos mandamentos descritos. Sem isto, os recursos financeiros investidos serão enterrados, assim como os resultados em forma de músculos e condicionamento. Exigir de você será uma prática diária! Salutar! Ultrapassar limites será uma busca. Somente assim o formato do seu corpo ganhará nova simetria e estrutura. Alias, não podemos esquecer que o visual é sugestivo aos olhos. Existe um padrão comercial incutido nas mentes. O corpo sarado é sinônimo de saúde, beleza e os atributos se misturam, compondo outros argumentos sociais. Entre o amanhecer e o entardecer, os centros de musculação te aguardam e mantém um público cativante, de variadas faixas etárias, com uma variedade de categorias de profissionais, misturados e dispostos a melhorar a condição física, para então melhorar a mente. Melhorar os resultados para obter mais fôlego e poder correr atrás dos resultados financeiros e da própria vida, de forma mais saudável e adaptativa. A moda pegou!   Parece que não há saída, nem retorno. Exercitar a mente pressupõe exercitar o corpo, assim como o inverso. Então, vamos turbinar os neurônios com proteínas de informações e “marombar’ o cérebro com bom senso e racionalidade, enquanto o organismo ganha massa muscular para seguir adiante, equilibrando o caminho físico e espiritual.

Crônica social: O ano da derrubada jurídica que derrubou o país

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justicapor Fernando Cássio, em outubro de 2014

As manchetes nos jornais do dia 27 de fevereiro de 2014 anunciavam: “STF derruba a configuração do crime de formação de quadrilha envolvendo o PT”. A complacência jurídica e social nos levou a ter esta situação: de um lado, um partido, o PT, novamente envolvido em denúncias, investigações e constatações múltiplas de corrupção, roubo e desvios, inclusive com dois excelentes exemplares da mais perfeita etnia dos contraventores – um doleiro responsável pela lavagem de dinheiro público conseguido de forma ilícita e um ex-diretor da Petrobras, que resolveu devolver mais de R$ 52 milhões desviados e entregar várias armações financeiras em nome de políticos do PT, PMDB e PP, além de farta lista de autoridades envolvidas. Do outro lado, parcela da população atônita, que nem imagina, nem alcança tal espetacular ação do crime organizado, com atuação na mais perfeita orquestração de um bando, atuando dentro do próprio governo, superando inclusive a forma de atuação da famosa máfia italiana.

Esta conjuntura, digna de livro policial ou ficção, depreende as seguintes consequências sociais: no primeiro momento, há um descrédito e uma desconfiança generalizada, enquadrando todas as autoridades, políticos e as representações num mesmo vazio, sem sustentação. Mais adiante, a situação provoca uma reação em cadeia, com a prática da justiça com as próprias mãos, o desleixo pelas regras sociais, regras de convivência pacífica e coletividade, além de uma intensa procura pela lei da vantagem. Em seguida, a destruição se petrifica, através dos desmandos em série, das autoridades paralelas ocupando áreas que seriam de domínio do Estado, inclusive com a ampliação da violência em várias escalas, em ambientes nunca imaginados. Não havendo reação social suficiente para reverter a desordem instalada, surgem aí outras formas de dominação e pressão social. Sem perder o contexto, a vida brasileira segue seu destino, trilhando coletivamente este exercício sombrio. Os políticos, por sua vez, tratam de abafar as manifestações e movimentações sociais e se mantêm na mesma posição ególatra, usufruindo das benesses de grupos financeiros, sem atentar para o desequilíbrio à galope.

Diante de tanta insensatez, alguns, observadores do cotidiano, propõem uma marcha, uma onda, um novo ordenamento moral, como única saída para este caos geral e iminente, que se fortalece, de forma crescente e gradual,  nos costumes e nos desvios de conduta, individual e coletivo, em todos os cantos do país. Quem teria, afinal, legitimidade para proporcionar mudanças e redirecionar o país? Na hora de reverter este quadro insano, todos os institutos democráticos já haviam ruído, levando consigo os estadistas, agora esquecidos nas paredes e nas frases de efeito. Neste cenário grotesco, permaneceram apenas os fanáticos e os inocentes, entupidos de informações com alto grau de desconfiança. Ambos, sem senso crítico ou visão com acuidade apurada, apenas passaram a integrar, como coadjuvantes, o cenário já bastante consumido e debilitado pelos exploradores de toda a sorte. E aí, ao voltarmos ao passado, verificaremos que ninguém errou em excesso, mas o exercício diário da falta de zelo pelos princípios, marcado a partir daquele dia 27 de fevereiro, ecoou bravamente pelos anos que se seguiram, até alcançar um Brasil semi-falido moralmente ……..

Crônica social: A lama que insiste em sujar o tapete e as almas

Destacado

footprints-284708_640por Fernando Cássio, em setembro de 2014

Esta não deveria ser a prática no nosso país, nem tão pouco a preocupação social. Que tal imaginar um governo “sem sujeira”, com a qualidade do detergente ou do sabão em pó, em lugar do vínculo à imagem do caranguejo ou guaiamum, quase em extinção na natureza, porém que acrescenta ativa relação e multiplica-se na vida política brasileira, em função do gosto pela lama e pelo manguezal. Uma espécie que sobrevive integrada aos alagados em diversas regiões. Porém, a natureza é pródiga! Ao mesmo tempo, projeta-se nos brasileiros um sentimento, uma carência e uma dúvida quanto a qualidade e a desconfiança em torno de tudo que se concretiza ou projeta-se no país, pelas mãos dos políticos e servidores. O Brasil democrático e a nação sadia precisa exercitar os pressupostos de um jornalismo livre e investigativo e exorcizar o alto nível de corrupção em intensidade, escala e ramificação que encontra-se instalada. Basta de gente que se alimenta do poder para, de forma mágica, se tornar, individualmente ou coletivamente, poderoso. Basta de gente que pouco faz e muito ganha. Ou gente que acumula riqueza aparente em curto espaço de atuação. Os mais antigos diziam que àqueles que derivam do serviço público praticam uma missão nobre, quase religiosa. Nunca seriam ricos, nem fariam jus à ostentação. Não é o que está acontecendo no Brasil! Esse truque, de absorver ganhos e patrimônios em curtíssimo prazo somente é alcançado e decifrado pelo Mister M, projetado na imagem de competentes jornalistas, quando posteriormente os casos chegam à Polícia Federal e a Controladoria Geral da União, revelando a criatividade danosa. Por sinal, quem já viu gato correndo atrás do rabo, sabe que esse tipo de exercício, da auto entrega, é fantasioso, com uma cumplicidade que só ao rabo e ao gato convém! A sociedade, porém, almeja uma máquina pública mais ágil. Que não atrapalhe. Mais resoluta e rápida. Só isto! Precisamos de servidores, entre gestores e políticos, mais altruístas e estadistas. Temos um cruel problema em potencial no Brasil neste momento: péssimos exemplos diários estão sendo produzidos por gente que representa e utiliza-se do poder, em todas as instâncias. Gente que deveria limitar-se a produzir perspectivas e mudanças sem sujar e contaminar a sociedade. Gente e grupos partidários que deveriam ter habilidades e princípios para governar, sem necessariamente produzir eventos semanais, impulsionando as páginas policiais como manchetes. Provocando o enriquecimento ilícito, particular e de grupos, acima de qualquer ação cidadã. Como um show de horrores, marcando negativamente a formação da sociedade. Generalizando o conceito de que o roubo é parte da nossa essência ou da nossa necessidade ou que é comum na vida da nossa sociedade.

O Brasil necessita de uma nova conformidade para a o exercício político e administrativo. Anular os financiamentos privados de campanha para reduzir os créditos e as intenções de uso do dinheiro governamental. Reduzir o uso indiscriminado do poder sobre a estrutura da máquina pública, transformando os cargos comissionados (de apadrinhamentos) em cargos exclusivamente de carreira, com políticas de RH e diretrizes claras de progressão. Sem isso, vamos transformando servidores em ocupantes oportunistas, sem qualquer aval de contribuição à transformaçãos. Exigir maior precisão na reforma e no trato do Estado, quanto aos delírios eleitorais que acometem a cada 04 anos as esferas públicas,  provocando descontinuidade de projetos e atividades ou gerando alterações substanciais nas estruturas hierárquicas, sem qualquer análise ou critério colegiada da sociedade e justificativa econômica e de viabilidade e eficiência. Apertar o controle sobre a movimentação financeira e de bens, de pessoas físicas e jurídicas e seu entrelaçamento, em variados níveis de parentesco, seria outra importante medida, para coibir vantagens e ganhos estranhos à normalidade desses envolvidos. Ampliar a extensão das penalidades relacionadas à ficha limpa e suas consequências para parentes de 1º, 2º e 3º graus, inclusive responsabilizando os partidos políticos, ofuscando a possibilidade dos empoeirados indicarem saídas convenientes, mais límpidas e transparentes, porém intrinsecamente relacionadas. Limitar o prazo máximo de 08 anos para o exercício do poder, por partidos e políticos, com suspensão temporária do direito de atuação pública por 04 anos, seria outra forma justa de coibir a formação em quadrilha enraizada, tão presente no presente do país. Tornar obrigatória a transferência das boas práticas para as demais instâncias públicas, quando comprovadamente eficiente, seria outra ação benéfica, obrigando a igualdade e o nivelamento de medidas administrativas e a expansão de experiências comuns, com o avanço das tecnologias em qualquer ambiente público. Quem sabe uma programa nacional, alcançando os três níveis e as três esferas públicas. O pregão eletrônico, por exemplo, nem é obrigatório nos 5.500 municípios brasileiros, que poderia ofertar e reduzir a burocracia e os engavetados processos criados no submundo das comissões de licitações, produzindo transparência e reduzindo os conluios entre fornecedores ávidos e servidores facilitadores.

É salutar informar que a rapidez da ação de burlar é infinitamente superior a ação de coibir! Reduzir o aspecto eleitoral e o carimbo de propriedade na circulação do dinheiro público também facilitaria as ações municipalistas, fortalecendo a cidadania e a formação dos condados, reduzindo o poder sobre a transferência, de forma que a população recebesse àquilo que é de direito, sem atravessadores, propagandistas e oportunistas quanto ao uso dos impostos públicos. E sem essa de padrinho ou boa vontade federal para uma obra ou necessidade municipal! Que tal imaginar a discussão de projetos a partir da participação eletrônica dos cidadãos, retirando de cena a estrutura formal das câmaras de vereadores e assembleias legislativas? Difícil? Nunca! Já temos tecnologia para tudo isto! Afinal, estamos longe da perfeição, mas não estamos longe do mínimo exigido pela sociedade! Assim, entre muitas e outras medidas, estaremos reduzindo e delimitando as oportunidades de manuseio da lama que se espalha nas paredes, piso e pegadas dos políticos e servidores de prontidão. A lama que afoga a administração pública, o povo e o país. Então, para que falar de tapete, se a causa está na falta de assepsia…..