Crônica social: Brasil utópico, procura-se uma nova nação, uma nova gente

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multidaopor Fernando Cássio, em 20 de agosto de 2014

As últimas abordagens políticas e as cenas desse Brasil me faz crer que chegamos bem próximos do fundo do poço. Sem pessimismo e com acuidade. Não há como imaginar situação contrária! Acabei de vivenciar a chegada e a cerimônia fúnebre em memória do candidato à presidência Eduardo Campos. Comovente! Eu choro pelo aceno da mudança, provocada e questionada pelo ex-governador, que partiu muito cedo, e choro, em seguida, pelo Brasil!. Não falo em nome da tragédia, mas em nome da conjuntura que se torna trágica e frágil a cada dia. Não é uma tragédia no campo econômico, financeiro ou político. Resume-se ao campo moral. Uma nação corroída. Em 514 anos de existência do Brasil, somos assim! Vejo as mesmas práticas que caracterizam uma cultura provinciana, calcada na busca pela ocupação do poder. Pelo prazer do deleite e das vantagens que o poder proporciona. Ainda pior é imaginar a distância entre discursos e atos. Enriquecidas de expressões, as falas são facilmente ludibriadas pelo contorcionismo exigido logo após a dominação dos cargos de relevância pública e eleitoral. Na prática, os discursos se dissipam! E a parte cruel ainda é outra. Sucessões de acontecimentos expostos e obscuros, trazidos à tona somente pelas investigações jornalísticas, aquecidas pela mídia que financia manchetes! Mas, sem uma determinação coletiva, um prumo e um novo rumo, marchamos para um futuro incerto. Sem qualidade moral. Sem a mínima preocupação com a “ordem” estampada na bandeira nacional! Sem qualidade cívica. Um Brasil confuso em meio às turbulências, mentiras, conluios, desvios, corrupções e atentados. Um Brasil envolto em pesados financiamentos de campanhas eleitorais, que deformam e destroem as futuras diretrizes e possíveis mudanças políticas e sociais. As esperadas inovações que são exigidas pelo próprio país e pelos cidadãos. Uma incongruência tamanha. Visível! Gente apropriando-se do processo de mudança e financiando gente para, mais adiante, usufruir do poder e dele lucrar. Algumas vezes, as misturas são tantas, que não há como diferenciar bandido e mocinho. Assim, vivemos à mercê da falta de nacionalismo e patriotismo. No individualismo e oportunismo. E vivenciamos cenas e enredos na atuação dos ocupantes de funções públicas, com o exclusivo interesse do olhar umbilical, ou pior ainda, explorando, quando possível, o capital, o dinheiro alheio e público, ou registrando fartos exemplos negativos no cenário urbano, subjugando, direta ou indiretamente, as instituições, as normas e os cidadãos. Fortalecendo o terrível lema: “neste país o crime compensa”. Em vários níveis e amplitude das infrações!

Mas, servir ao poder é diferente de usá-lo. E deveria ser este o sentimento elementar. A capacidade, o desprendimento e a coragem para provocar uma nova feição. Uma abnegação e altruísmo presente no espírito. Diagnosticada no sangue de quem pratica a política partidária e de quem pratica cargos e funções públicas. Um componente do DNA que teria a missão de desligar os desejos subjetivos em prol do senso de coletividade, fornecendo musculatura e energia às ações e causas requeridas pela nação e seu povo. E quem sabe, o composto ainda serviria como antídoto para a degeneração moral que assola cada canto desse país. Mas o desprendimento e este sentimento também deveria percorrer toda a sociedade. Porque o processo de mudança requer sintonia com as ruas. Nas ações do cotidiano. Na cabeça de cada brasileiro. Na correição dos seus próprios vícios e erros diários. E como uma onda, impulsionando à todos para uma nova conduta. Mas alguém poderia dizer que evoluímos. Claro que sim! Estamos obrigatoriamente andando, maquiando a fachada, em meio ao oco e ao vazio no campo moral. Aquilo que sustentaria uma sociedade sadia e uma nação baseada em princípios. A ética instalada na forma de agir e pensar de cada brasileiro. A conduta individual, ao arremessar um simples papel nas ruas, colabora para a deformação crescente. E reafirma, na banalidade praticada, que também contribuímos com o afrouxamento da cidadania e do devido papel que cabe a cada um de nós neste cenário e processo. O descumprimento básico dessas pequenas obrigações sociais nos conduz a tantos outros afrouxamentos jurídicos e sociais. E nesse jeitinho brasileiro, multiplicamos a prática cotidiana, com atos e extravagancias que pouco a pouco passam a ser aceitáveis e palatáveis. Comuns aos olhares desatentos!

Um país que não vivencia guerras mas que se permite sacrificar heróis anônimos, empurrando seu próprio povo ao descaso diário, nos conflitos entre classes e entre estágios de sobrevivência e deformidades de condutas, nas violências que se apresentam em qualquer esquina, destacando incompetências e negligências, públicas e privadas. Com a tecnologia, conseguimos acompanhar as ilicitudes quase em tempo real. Sem disfarces e ainda no calor dos acontecimentos. Por sinal, nem há mais interesse em disfarçar nada! O conluio de teor maléfico e os esquemas de ilegalidade estão às claras. O erro já nasce absolvido, compondo atos e fatos comuns, dada a multiplicidade e espalhamento. Ainda assim, tem gente se glorificando, declarando aos quatro cantos que nunca, na história desse país, houve tanta dedicação da polícia federal. Claro e evidente! Na lógica policial não haveria de existir trabalho e cadeia se não existisse malfeitores, ou vice-versa. Ao mesmo tempo, a sociedade também observa atentamente o distanciamento e o desencontro entre investigações e denúncias jornalísticas, ações policiais e o desempenho judicial. Nas entrelinhas e vírgulas das normas jurídicas, as hipóteses declaram novas ordens ao ordenamento já fragilizado. Recentemente, o núcleo do poder executivo federal foi “quase” qualificado como uma quadrilha, pelo Supremo Tribunal Federal – o mais elevado nível da magistratura. O que, em outros países, seria motivo suficiente para o desprestígio partidário e o pleno descrédito dos envolvidos, com a suspensão definitiva da participação social, aqui o fato se acomoda nos truques jurídicos, com a antecipação das penalidades aplicadas aos criminosos, solidificando a razão absoluta do crime sobre a ordem. Enquanto isto, os apenados e seus seguidores tratam de desqualificar quem porventura acenou em nome da verdade, exercitando o dualismo filosófico, entre o bem e o mal, com ampla vantagem aos contraventores e suas duvidosas façanhas. Enfraquecendo os instrumentos de coerção social, vamos enfraquecendo a sociedade e as virtudes. E se ainda é pouco, a subversão dos valores alcança e atinge em cheio a juventude, onde as evidências sugerem um futuro baseado apenas na ambição e na ganância, assim como a lucratividade dos ilícitos propiciou sucesso aos incautos. Naturalmente, os brasileiros humildes que se deslocam diariamente ao trabalho, que madrugam e se acotovelam diante do precário serviço público, levam adiante dias de esperança, achando que seus esforços não serão em vão ou que, de alguma forma, haverá alguma solução mágica. Um salvador. E não haverá! Não há ninguém que consiga, neste substrato já contaminado, influenciar e estabelecer um novo ordenamento social e político. Assim, somente acredito que a solução está em cada um de nós. E no somatório dos nossos comportamentos. Precisamos retomar o brilho das virtudes que foi ofuscado pelo desarranjo. A partir de pequenas atitudes. Precisamos, com urgência, recomeçar. Reconstruir! Formatar o pensar e o agir. E precisamos de gente sadia. De gente preocupada com suas ações e reações diante da sociedade e dos semelhantes. De gente formada nas escolas e no seio familiar, com visão e engajamento humanitário. Gente alicerçada para fazer e pensar diferente. Que tem o cacoete de ser perfeccionista! Gente com simplicidade e predisposição para a sinergia e a comunhão de bons propósitos. Gente despreocupada com sobrenomes e sem arrogância. Gente com consciência social e consciência pessoal. Gente que se satisfaz com a felicidade nos rostos alheios. Que enxerga facilidade nas dificuldades, para operar mudanças. Que não se deixa abalar pela influencia do capitalismo sem escrúpulos. Procura-se esse alguém. Essa nova nação. Procure este alguém dentro de você. Candidate-se! E não vamos desistir do Brasil!

Crônica social: Motoqueiros – pernilongos mecânicos do asfalto

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Sem títulopor Fernando Cássio, em 10 de agosto de 2014

Diariamente somos forçados a nos deslocar entre estreitos e limitados espaços físicos, na geografia das cidades e lugarejos. Seguimos uma trilha que estabelece a mesmice da vida urbana. Sempre foi e acho sempre será assim. Não imagino mudança ou resolução nos próximos minutos. Uma briga de gato e rato, que envolve, de um lado, indústrias automotivas, ávidos por consumidores, responsáveis em despejar anualmente cerca de 3,4 milhões de veículos e 1,5 milhões de motocicletas no Brasil, no tão vasto e limitado território, e do outro lado, os vários níveis de governo, com a obrigação de garantir a qualidade da infraestrutura rodoviária, na manutenção das vias já existentes e na construção de novas alternativas viárias. Aqui em Recife, por exemplo, a prefeitura resolveu adquirir um grande   lote de tinta amarela. E possivelmente fizeram um campeonato, premiando quem mais pintasse os meios-fios. Não deu outra! Para quem não sabe, a tinta amarela determina que não há possibilidade de estacionamento naquele local. Assim, toda margem de calçada foi esmaltada nessa cor cintilante. Bravo! Bravíssimo! Mas, onde vamos colocar, agora, os nossos benditos carros?! E como vamos usufruir da cidade? Nessa confusão cotidiana, entre pessoas com intuitos e destinos diversos, possantes e múltiplas cilindradas em espaços afunilados, pressa e estressantes condições, poluição, buracos gigantescos enquadrados como simplórias imperfeições e uma péssima qualidade do transporte público, além do ilusionismo governamental, seguimos adotando a mobilidade como um devaneio coletivo. Permita-me uma ressalva: como é vergonhoso verificar a paralisia dos governos ao não enxergarem a condição feminina num vagão de metro. Se não existe competência para ampliar o número de vagões, então defina uma política mínima, separando espaços entre homens e mulheres. Simplesmente assim!  E salve-se quem puder! Antigamente, as pessoas tinham outro ideal de futuro. Sonhavam em crescer, multiplicar e adquirir o seu imóvel. Agora, a sociedade adotou novos sonhos. A consciência alterou o objeto de desejo, que foi alterado pelo consumismo, provocado pelo modismo, que estabeleceu uma nova ordem social. Ufa! Nada de casamento. Nada de imóvel. Nada de limitação. O ser humano aprendeu a querer circular e transitar cada vez mais longe, descobrindo novas terras, como faziam os navegadores. E tudo passou a ficar mais longe também. A expressão “logo ali”, era caracterizada como medida de beiço e a expressão do extremo mais remoto, que a visão alcançava. Coisa de mineiro! Tudo acontecia nas cercanias. A vida se limitava às esquinas e quadras. Visitar um outro bairro seria como viajar para um outro país. Vivíamos concentrados. Próximos uns dos outros. Essa história de longas horas dedicadas à espera da condução e outras tantas para o percurso, degustando engarrafamentos, é atributo da modernidade e da desarrumação trazida à reboque, cujo avanço e consequências mesclam um grande doideira – tem gente demais e espaço de menos! Que venha Marte! O sentimento que fica é o seguinte: parece que houve uma superlotação de vontades idênticas. Numa mesma hora, num mesmo desejo, milhões de pessoas se dirigem para um mesmo ponto geográfico, com um mesma vontade de chegar. E pior, ninguém chega!

Mas, ao inventarem a distância, inventaram a forma de circular com menor esforço. Criaram a roda e o seu encaixe entre eixos, com um assento em lona. Assim se fez em 1885 a chamada motocicleta. O quase hipomorfo foi uma invenção que teve como objetivo garantir a transmutação do indivíduo, sem muito suor e desgaste. Uma inventividade que carregou consigo o incentivo à poluição, ao individualismo, ao elitismo, mas ao conforto. Logo em seguida, em 1886, apareceu o primeiro protótipo do carro, com o mesmo fim. Mas, a  imagem do cavaleiro e seu alazão foi substituída pelo motoqueiro e sua moto. Findou-se um ciclo e iniciamos um nova etapa. As aventuras empoeiradas no trote do cavalo deu lugar a possantes máquinas de duas rodas com efeito sonoro próximo ao rugido dos tigres. A auto locomoção passou a proporcionar também a autopromoção e o ganha pão de muitos. A moto foi personificada. Surgiu o “motoboy”. Uma espécie de carteiro com motor. Um faz tudo motorizado. Um pau pra toda obra. Disponível para fazer qualquer coisa, desde que se pague pelo serviço de entrega. A moto passou a ter outras serventias. Do cachorro da madame, a entrega de documentos e pizzas, entre outras quinquilharias, tudo foi possível com este reduzido utilitário. Nos assaltos, perseguições, incursões policiais e, mais recente, a atuação dos bombeiros, tudo deu lugar a essa frenética criação.

Há que diferenciar, porém, motociclista de motoqueiro. Um é classudo, que domina as regras, nos finais de semana, para uma convivência pacífica, enquanto o outro é cotidiano, com agressividade e audácia, sem nenhum receio. A magrela mecânica, acionada no sofrimento do pedal difere do botão elétrico da sofisticação, acordando vários cavalos Quarto de Milha ou Appaloosa. Certamente, a moto e o motoqueiro, diferente do motociclista, compõem a dupla sertaneja, que mais incomoda a vida das outras pessoas. Desconheço outro meio de locomoção que mais chateia, depois dos pés cansados e inchados. Dizem que moto já foi feita pra cair e teimoso é aquele que fica em cima dela! A coisa parada, sozinha, já incomoda a lei da física. Em movimento incomoda a lei do silêncio, a lei do transito e vai além da paciência. Quem ainda não ficou aborrecido ou tenso, ao perceber um desses trambolhos, visualizados pelo retrovisor ou na lateral do carro? Quem nunca sofreu um susto, arranhão, um escorão ou uma leve batida de um guidom? Quem nunca presenciou uma invasão de espaço na calçada, nas faixas de pedestres ou entre carros e no encurtado espaço entre faixas? Quem nunca viu um avanço de sinal, além da ocupação da faixa do pedestres? Quem nunca viu uma moto sendo guiada sem instrumentos de segurança, com excesso de bagagem ou gente? E quem nunca viu um motoqueiro reclamando, acenando que tudo está errado, menos ele! Quem não levou um susto ou foi incomodado pelo ruído estridente de um escapamento brega de uma cinquentinha na madrugada? Uma coisa é certa: civilidade, cidadania e segurança não condiz com estes apaixonados usuários do globo da morte. Personagens dos jogos eletrônicos que tem vida garantida. Gente com 07 vidas! Mas, fica aqui um ponto para reflexão: quem mais incomoda é o pernilongo mecânico do asfalto, caracterizado por uma moto que vai de 50 a 125 cilindradas ou uma Harley-Davidson, de 800 a 2.000 cilindradas, com uma bela loira na garupa? Até onde vai a raiva pela irreverência no trânsito e pela forma descuidada de fazer valer a sua vida e a vida dos outros? E até onde começa a inveja pela emoção de se sentir livre, sem regras, limitações e quase alçando voo? Quem sabe, só após sentirmos o vento no rosto e a emoção no peito, poderemos validar com melhor precisão. Porém, as evidências ofuscam as fantasias. O número elevado de óbitos, em torno de 500 por ano no Brasil e outros tantos feridos e sequelados, com pacientes de alta complexidade, politraumatizados, que ficam internados por longos períodos, aponta para uma cruel batalha. Em São Paulo, por exemplo, morre por dia 01 motociclista. Mas, a sensação de pilotar ativa a alma. E para os “pernilongos mecânicos do asfalto” ainda não há inseticida eficiente que dê jeito. Só emoção e muita adrenalina!

Crônica social: A Copa e a Elite Branca

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por Fernando Cássio, em 06 de julho de 2014

Estamos chegando ao final de mais uma Copa do Mundo FIFA, cujo campeonato mundial entre seleções de futebol alcançou a marca de mais de 200 países ligados na TV e a mais cara entre as últimas 03 copas juntas, no Japão/Coréia, Alemanha e África do Sul. Porém, daqui a pouco teremos um novo campeão. E já é chegada a hora de iniciarmos uma avaliação sobre o evento. Uma análise que poderia alcançar, tão somente, o desempenho dos jogadores e técnicos ou outros cenários associados. Para mim, que não tenho a mínima paciência e domínio sobre o tema futebol, passei a refletir sobre os dribles, lançamentos e estratégias, que simultaneamente aconteceram fora dos 6,5 bilhões gastos nas construções dos campos. Trata-se do capital e das consequências políticas atreladas ao evento. Vivenciamos no Brasil, um momento singular, quando um partido político de esquerda, atua no poder federal por quase 12 anos ininterruptos. Um partido que iniciou um processo de resgate, social e econômico, das classes menos favorecidas, inclusive posicionando o país em melhor condição econômica que o resto do planeta, durante a crise mundial, direcionando a produção nacional para o atendimento das demandas historicamente reprimidas dessa faixa inferior da estratificação social, criando artifícios para o consumo e a manutenção do equilíbrio econômico entre demanda e oferta. Inclusive, criou igualmente artifícios para garantir a dominação política através da dominação social, com programas de conotação semi-escravizantes. Mas, este mesmo partido político também passou a ocupar as manchetes dos jornais, nas páginas policiais, envolto em corrupção, desvio de recursos públicos para a compra de partidos e políticos e desvio de recursos superfaturando operações estatais, culminando com o julgamento e condenação de uma parcela significativa de seus líderes, que ocupava cargos estratégicos na estrutura do governo federal, quase caracterizando a formação de uma quadrilha, reportando um possível e grave envolvimento da imagem presidencial. Para alguns, que vislumbram a moralidade como forma de sustentação de uma sociedade justa, estes fatos seriam suficientes para a devolução da posse do poder, porém, ainda assim, permanecem ocupando cargos públicos nos diversos níveis hierárquicos, inclusive a presidência, enaltecendo a democracia entre investigações e novos fatos policias, que surgem a cada dia.

Com a finalização da Copa, estaremos dando início a mais um sufrágio eleitoral no Brasil. Novas eleições para o cargo de presidente da republica democrática federativa e 26 cargos para governadores dos estados. Será uma corrida em busca da captação de votos e eleitores, com ampla e igual participação de gente inocente, desinformada, despolitizada e outros cheios de ideais e esperança. Será o momento da aclamação de feitos, com efeitos visuais, desejos futuros coletivos com apelos psicológicos e união de partidos e pensamentos desiguais, caracterizando-se deformadas coligações que justificam apenas o momento para a conquista do poder. Então, o oportuno “fuleco” agrega tempero adicional para o importante caldo eleitoral, alçando famintos eleitores, ávidos por desejos e satisfação mínimas e temporais, quase sempre de mente e barriga vazia; eleitores esperançosos com a alternância democrática para a transformação moral e a recuperação cívica do país; eleitores com anorexia eleitoral, descrentes e nulos, bem como, tantos outros que circundam este caldeirão, entre pitadas de verdades e inverdades, ao longo do preparo até o mês de outubro próximo. Ela, a Copa, impulsionou inaugurações! Foram R$ 29,5 bilhões de reais com obras dos estádios e de infraestrutura, sendo mais de 80% com recursos públicos, gerando novas possibilidades financeiras para investimentos nas campanhas eleitorais, antecipando possíveis retornos e desvios contábeis. Empreiteiras e negociações à disposição do esporte sadio. Este é o palco econômico do evento! Ao mesmo tempo, o termômetro que aquecerá as pesquisas eleitorais e as tendências de votos da população, será induzido pelo placar dos jogos. O burburinho de informações e contrainformações receberá uma dosagem adicional, acelerando a mídia, através das empresa de marketing, para proliferar criatividade em prol dos atuais ocupantes do poder e seus opositores. Vencendo a Copa, o país do humor e da inocência receberá adrenalina positiva, embaralhando causas e ofuscando necessidades urbanas e sociais, para o credenciamento e retorno eleitoral de alguns candidatos, além do retorno de investimentos, ocultos e disfarçados. Perdendo, um tsunami de negativação alcançará com extrema energia o país, criando um possível cenário de caça às bruxas e desolação. Tudo será motivo e consequência da derrota, expandindo-se até a contagem de votos. E aí, teremos mais perdedores, além dos jogadores, da comissão técnica de futebol, dos acionistas do poder e investidores. Igualmente terão prejuízos, o Partido dos Trabalhadores – PT, seus seguidores e todos aqueles que se compõem e fazem uso da malha de privilégios, disponível e dedicada ao poder. Será um verdadeiro desmonte!

Mas a Copa também foi dos turistas felizes! Os estrangeiros injetaram R$ 6.000,00 (seis mil reais), em média, na economia, ou US$ 3.000, enquanto que os turistas internos fizeram circular em torno de R$ 1.500,00 ou US$ 700 per capita. Aquele Brasil das metralhadoras circulando em meio ao povão e os assaltos seguidos de morte pouco se viu. Violência também teve ponto facultativo! As malas dos esquartejadores foram momentaneamente substituídas pela frenética circulação de tantas outras, nos aeroportos maquiados e semi acabados. O jornalismo que pontua diariamente a desgraça alheia, em busca da audiência, transferiu suas intenções, focando exclusivamente os jogos e fartas análises. Intensivamente falamos e gesticulamos futebol, com outros povos. Conseguimos ter uma paz encoberta! Bandidos, polícia e povão se comportaram de forma exemplar. Ainda não sabemos o custo das operações militares, mas descobrimos que a segurança pública finalmente conseguiu unir quem nunca havia se juntado. As forças de segurança, entre várias organizações estaduais e federais, partilharam esforços, inclusive com outras nações, integrando sistemas e sistemáticas. Coisa quase impossível de se ver no Brasil! Vivenciamos uma época branda, apenas manchada ou arranhada por quatro excepcionalidades: (1º) a descoberta de uma quadrilha que resolveu capitalizar maior lucro na venda de ingressos, acirrando disputa com o próprio patrocinador, ultrapassando grupos genuinamente nacionais; (2º) a queda de um viaduto e o processo inseguro na construção de outras obras, ceifando vidas, repercutindo na baixa qualidade dos critérios de contratação e suspeição na qualidade das obras públicas já entregues, fortalecendo a metodologia do jeitinho brasileiro de fazer; (3º) a comemoração descabida de alguns desqualificados representantes públicos, que na sua mesquinhez por interesses particulares diante dos interesses do país, tentaram desvalorizar um digno comandante da mais alta corte judicial; e finalmente (4º) um colombiano, intitulando-se jogador, que resolveu trocar a arte do futebol por artes marciais, transformando um golpe mortal em olé, destruindo nossa esperança e expulsando, definitivamente, de campo, o nosso maior exemplo de herói nacional, até a próxima copa.

Talvez, o lucro tenha sido o maior vencedor desta Copa! Ele correu solto por todos os campos, sem sofrer qualquer impedimento. Induziu a economia nacional, bem antes do primeiro apito sonoro de início das partidas. Envolto na magia de ganhos e passes ardilosos, já a partir de 2011, impôs um custo pelo sucesso do evento, adicionado uma carga aos preços, num país que já sofria com impostos, sem retorno visíveis em serviços públicos com qualidade. Criou no entretenimento, um oportunismo econômico, gerando vínculos que acionaram o capitalismo na sua melhor essência. Superfaturou custos em todos os segmentos, chancelando um padrão FIFA, acima da razão, da lógica e da ética da economia nacional. Mas criou um ritmo acelerado no consumo, que deixará saudades, inclusive para os comerciantes informais. Foram consumidas, na Arena Pernambuco, por exemplo, cerca de 7.000 tapiocas durante os três primeiros jogos realizados. Uma média de 2.400 unidades por jogo. Um número simplório, se considerarmos outros tantos ganhos, mas digno de garantir o sorriso incomum para quem, possivelmente não participará novamente de outro evento dessa dimensão, apostando apenas na culinária nordestina, antes de qualquer time, país ou jogador. Com tanto sucesso e tantas outras conquistas atreladas ao evento, mesmo assim, fica a minha dúvida sobre uma velha expressão que volta à tona, particularmente sendo utilizada pelo desgastado Partido dos Trabalhadores, nominada de “elite branca da Copa”. Afinal, quem é essa elite? Quem compõe esta elite branca? Serão aqueles que conseguiram lucrar com o evento, de forma duvidosa, inclusive eleitoralmente? Serão aqueles que permanecem no poder, transfigurados de proletariados, induzindo a população a acreditar que exercitam o poder de forma sacerdotal e inocente, tirando dos ricos para dar aos pobres? Ou serão aqueles outros, filhos do poder, que enriqueceram rapidamente, em função dos cargos e negociatas que realizam, inclusive dedicando espaço e oportunidade familiar para tal? Bem, nessa nação brasileira onde todos nós somos derivados da mistura sanguínea de variados povos e culturas emigrantes, sem clara evidência de uma única cor ou raça, projeta-se uma multiplicidade visível, com etnias que convivem plenamente entre si, sem qualquer limitação geográfica ou religiosa. Mas, vivemos a espera dos resultados do jogo do poder e da melhoria na qualidade do DNA, daqueles que estarão ocupando, temporariamente, os assentos públicos. Então, só nos resta achar que a elite branca não é tão branca, nem privilegiada assim. Formamos uma massa de 142 milhões de brasileiros com direito a voto e direito de escolha. Precisamos vencer outros desafios, antes mesmo de vencermos a Copa. Precisamos analisar nossos jogadores políticos e suas jogadas mirabolantes. Precisamos fazer a defesa de nossos direitos, impedindo lances de perigo junto a democracia. E precisamos da energia coletiva, em forma de teimosia, para melhorarmos e definirmos o nosso padrão nacional.

Mesmo assim, tivemos uma evento magnífico, exigindo uma organização que envolveu investimentos e retornos com a infraestrutura, com a construções e mobilidade, na geração de empregos, capacitação de profissionais e qualificação de mão de obra, exposição de marcas, cidades e do país, lançamentos de produtos, incremento de marketing de negócios, movimentação econômica, geração de negócios, crescimento do turismo, aumento na arrecadação e faturamento das empresas, transferência de conhecimento, serviços e tecnologia, parcerias e relacionamentos. Assim foi exigido para a festa. Ficamos entorpecidos durante alguns dias, esquecendo os problemas nacionais e pessoais. Convivendo com outros e recepcionando com a alegria que poucos povos sabem fazer. Tivemos férias coletivas, feriados e dias de lazer, colocando a boca no trombone, ganhando e reduzindo tensões, entre berros, gritos e vaias. Reascendemos o espírito e o orgulho nacionalista. Dias que ficarão para a história. Para nossos descendentes. Para contarmos aos nosso filhos e netos. Quem sabe, com algumas outras conquistas, além da taça, que pode ou não, ser nossa novamente.

Crônica social: Minha terceira vez na Copa

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por Fernando Cássio, em 23 de junho de 2014

Sensacional! Emocionante! Contagiante! Mais uma vez a plateia interferiu no evento da Copa e realizou uma festa à parte. Nunca vi torcida tão ativa e participativa como os mexicanos. Merecedores de palmas (sem espinhos). Hoje é segunda-feira, dia 23 de junho de 2014 e estamos falando do jogo México e Croácia, próximo a cidade do Recife, capital de Pernambuco, no nordeste do Brasil. Vou adiantar o final do filme: México 3, Croácia 1. E foi um provável e merecido resultado. Mais uma vez estive disfarçado de torcedor, fantasiado com a indumentária tradicional, conforme um fiel seguidor e conhecedor da arte do futebol, sem gerar qualquer suspeita. A chuva não deu trégua durante toda a manhã e já imaginávamos gastar as excelentes proteções plásticas que havíamos comprado e utilizada no primeiro jogo na Arena Pernambuco. Apenas mais uma grande surpresa que acompanhou a pelota. Nada de chuva, mesmo existindo uma grossa camada de nuvens escuras, compondo o teto do gramado. Logo na chegada ao Estádio, observamos que o caminho estava livre e desimpedido. Pouca gente circulava nos arredores. E cadê os torcedores verde e amarelo? Acho que a maior parte deles resolveu assistir o jogo Brasil 4, Camarões 1, que aconteceu simultaneamente em Brasília. Confesso que esse drama me veio a cabeça durante as duas horas que permaneci sentado na cadeira, ouvindo um dos fones de ouvido do som tirado do celular fanhoso da minha mulher. Também é época da tradicional festa junina, que desvia a atenção do povo do Nordeste, à procura pelas cidades de Caruaru e Campina Grande, onde realizam uma grande festa municipal, disputando um campeonato particular e exclusivo, entre as duas melhores festas nacionais de São João. Visualmente também descobrimos que seríamos minoria, bem como a torcida da Croácia. Haviam “Chapolins Colorados” aos montes. Me senti no “Mérrico”, muchachos! Uma chuva de camisas verdes, sombreiros e muita bebida gratuita, já entregue na boca. Entornaram neles e fomos gratuitamente convidados a entornar as aromáticas tequilas. Minha boca enche d’água, até agora, quando me lembro! Oh, vida! Eita, lei seca danada, sô! Mas a consciência fala mais alto e liberei acesso apenas para refrigerantes afrodescendentes, a dez reais (quase 4,5 dólares), cada copo petista. Mais uma vez a elite branca teve que se contentar com os desgostosos sandubas de pão com salsicha, indevidamente apelidados de cachorro quente, com o mesmo padrão dos alimentos servidos pelas nossas empresas aéreas. Haja coração!

Esse foi o primeiro jogo que chegamos com antecedência, mesmo com o tradicional engarrafamento na BR 232. Beleza e emoção maior foi o momento da execução do hino do México. Um coro alto, único e forte, quebrado apenas pelo motor de dois helicópteros da segurança. Estranhamente localizei alguns torcedores com camisas do fluminense, náutico e sporte clube. Excesso de amor, paixão ou doença? Tenho lá minhas dúvidas. Acho que não procede tal comportamento. Fico imaginando um estrangeiro tentando desvendar que país é este? O cara entrou no jogo errado? Comprou os ingressos para amanhã? Mas, que p….. é essa! Vi também um cara fantasiado de Santa Cruz e logo associei ao banheiro. Santa Cruz agora é vaso. É instantâneo! Por sorte, a arena dispõe de mictórios na parede. O cara vai ter que arrancar a parede, velho, caso resolva exercitar a lei da gravidade na cabeça de algum mexicano. Menos mal! Vimos também, lá pelas tantas, quando a tequila já tomava conta do jogo, dois fanáticos torcedores sendo escoltados para o chuveiro. Levaram cartão vermelho da segurança e saíram de campo antes da hora. Vimos também uma briga bem perto da torcida da Croácia. Coisa de delegacia. Um empurra-empurra descendo a ladeira. Isto foi suficiente para decidirmos sair aos 80 minutos de jogo. Dez minutos suficientes para perdermos dois gols, um de cada lado, e ganharmos a liberdade, sem confronto com o adversário cheio de manguaça. E um trajeto de retorno sem engarrafamento. Tínhamos a seguinte preocupação: se o México perder, a turma vai encher a cara e se o México ganhar, aí sim, a turma vai encher a cara. Cientes do dever cumprido, ainda fomos entrevistados na saída do estádio, por uma estagiária de algum jornal ou blog, que pediu uma foto, algumas palavras e o nome completo da minha mulher. Naquele momento, juro que ela já estava se achando a nova Larissa Riquelme da Arena Pernambuco. Mas, até a conclusão dessa crônica não recebemos a ligação de nenhum patrocinador, porém os copos da coleção estão garantidos, contabilizados e já disponíveis para à venda. Ah, já ia me esquecendo: o jogo novamente foi monótono no 1º tempo e mais acelerado no segundo, porém sem conseguir tirar o brilho do público, que ainda vibrava com os gols do Brasil. No gramado, apenas uma visível dificuldade para domesticar a bola, que insistia em dificultar ainda mais o final daquela tarde cruel para todos os “citrovit’ da Croácia. Mas, novamente, continuamos acreditando que a Copa é das Américas!

Crônica social: Minha segunda vez, na Copa

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por Fernando Cássio, em 20 de junho de 2014

Quem continua maldando, errou feio, novamente. Trata-se de coisa séria. O evento de futebol. A Copa do Mundo da FIFA. Mantendo a teimosia, continuo visitando a Arena Pernambuco, fantasiado e disfarçado de torcedor, para colher observações sobre o cotidiano. Agora foi a vez do jogo Itália e Costa Rica. O evento estava previsto para acontecer às 13h, porém já acordamos pensando nele. Pontualmente às 11h já estávamos na reta principal, na via de acesso que conduzia ao local do jogo. E aí descobrimos que o engarrafamento queria um destaque à parte. Depois de uma 01h à disposição da lentidão, conseguimos entrar no ônibus do trajeto estacionamento – arena. O dia lindo e o sol à pino compôs o cenário. Novamente encontramos um policiamento ativo e uma organização na entrada. Parabéns aos profissionais, estaduais, federais e privados. Chegamos atrasados nas cadeiras marcadas e não vimos os hinos. As rampas de acesso resolveram ficar mais longas e íngremes, consumindo a potência dos pulmões e dos pisantes já recuperados pelo primeiro jogo. Vimos noventa por cento do estádio à sombra. E uma ala sortuda e privilegiada, exaltando o rei sol com intensa sessão de bronzeamento natural. Porém, também foi o trecho do estádio mais animado. Provavelmente pelo apimentado calor na moleira. Novamente as pessoas que circulavam foram o grande destaque do evento. Enfeitados e alegres torcedores. Na monotonia do campo, durante o 1º tempo, resolvemos contribuir com a onda coletiva (conhecida como “ola’), assumindo o espetáculo em lugar dos gladiadores em campo. Confesso, mais uma vez, que nem tive preocupação com quem estava pisando na grama. Por sinal, aquele gramado deveria ter um rígido controle de acesso, com uma enorme placa “não pise”. Esses caras ficam correndo, pisoteando a ecologia, sem sentido!

Desde o início apostei no placar de 2 a 0, só para contrariar alguns azuis sentados a frente e a minha mulher, que insistia nos italianos, que nem sei quem eram. Então, resolvi me fazer entoar o coro da Costa Rica, que de rica não tem nada, se comparada com a representante da Europa. A Itália da Ferrari, do Império Romano, do Estado de ouro do Vaticano, do Renascimento, da Ópera, da moda de Milão, dos Imigrantes, do Coliseu. Além disso, de Paulo Rossi. Contra uma Costa Rica, da América Central, de Cristóvão Colombo e 5º lugar no Índice de Desempenho Ambiental. E só! Mas, de oprimida ela passou a ser opressora no segundo tempo. Conduziu a maioria das jogadas e escureceu o brilho do atacante Balotelli, da ex temida Itália . Esse cara ficou bem próximo de fazer nada e congelar em campo. Quem assistiu, imaginou que houve troca de camisas. Ou que a Itália se considerava tão superior que resolveu perder só para fazer raiva e não dá valor ao adversário! Bem, o melhor de tudo foi ver um time, quase fraquinho, vencer um gigante mundial. Mais ainda, foi ver brotar um espírito coletivo empurrando os 40.285 presentes. Desta vez, as feras perderam ibope para os homens e não houve matança. Alguém do meu lado ainda me disse, lá pelas tantas, que o estrago seria maior, com a desclassificação da Inglaterra. Eu nem sabia disso e pouco me importei com o fato. Mas estava em jogo a Inglaterra, do Reino Unido, de Londres, dos Beatles, de Pink Floyd, de Shakespeare e de Alfred Hitchcock. Porém, o suor, os vulcões e as cordilheiras da Costa Rica foram os atributos necessários para a dosagem do suspense que gerou, em um só filme, dois finais, contrários a Hitchcock, envolvendo a desclassificação e a situação vexaminosa dos ingleses e italianos, respectivamente. Após enumeras análises matemáticas, minha prognose imediatista indica que o campeão e os próximos resultados são dirigidos às Américas! Para quem não aguenta futebol e foi apenas disfarçado, acho até que estou me saindo muito bem. Uma rara situação acima do meu comportamento ortodoxo!

O que não mudou entre o primeiro e segundo jogo? Já te digo! A intenção angustiante da coleção absurda de copos descartáveis da minha mulher. A cada jogo saímos com mais e mais copos enfiados na mochila. Isto me parece um obsessão. Um desvio de copos. Um descaminho (Art. 334 do Código Penal). A coisa está tão séria que outros malucos ligam fazendo pedidos. Um vício coletivo e uma virose irremediável. Até alguém já imaginou que estávamos limpando o estádio, como fez os japoneses colecionadores. Ambos enganaram os demais tolos. Ambos estão levando copos para casa. Se realmente for coleção, azar meu. Nem tenho onde guardar tanto plástico. Nem mesmo derretendo ou fazendo festas. Mas se for para comercialização, então estou salvo. Quem sabe nessa Copa a gente não descola uns cascalhos e se descola dos demais. E aí passamos a ser apelidados de elite branca. Isto até me deu uma ideia: vamos pintar uma estrelinha branca em cada um dos copinhos vermelhos e vender as caixas na convenção de um desses partidos desinteressantes que também gostam de ganhar dinheiro na Copa. Quem sabe? Quem sabe!

Crônica social: Minha primeira vez na copa

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por Fernando Cássio, em 14 de junho de 2014

Para alguns, o título poderia sugerir uma detalhada situação de acasalamento, realizada com sucesso, em algum cantinho excepcional. Infelizmente não é! Se você imaginou coisa parecida, procure urgentemente uma sexóloga, psicóloga, psiquiatra ou companheira. Se tiver uma “4 em 1”, melhor! Sua situação é preocupante. Na verdade, vamos tratar da minha primeira visita a um estádio na COPA 2014. Digo, em qualquer tempo. Estamos na Arena Pernambuco. Coisa de gladiador e feras. Não sei em que situação me enquadro. Contudo, antecipo que tive o devido cuidado textual para não juntar certas expressões nacionais, que pertencem ao domínio temporário da FIFA. Mas, cheguei a conclusão que não tenho a mínima paciência para este vai e vem, quando juntam 20 exímios corredores, pulando e saltitando de lá para cá e daqui pra lá, agindo quase sempre da mesma forma. Movimentação que me reporta a um limpador de para-brisas. Acho qualquer outra coisa muito mais interessante na vida. Mas, o que me fascina é a bola. Ela é única e surpreendente! Ela induz. A excepcionalidade proporcionada pela sua teimosia resulta no seu próprio aconchego junto à rede. Como se fosse um cearense em dia de domingo, após um baião de dois, cheio de pequi.

Levei 2h30 para chegar nesse chapelão, parecendo formigueiro em dia de chuva, entre rampas, escadas, filas, grama, mato, lama, mais lama, ônibus, carro, estacionamento, mais fila e lama. Me vi numa excursão ecológica, no pantanal. Com mais 1h30 de duração do jogo, a tarefa fica ainda mais difícil, quando precisamos equilibrar nossas metades laterais em um mínimo espaço de área plástica, pouco maleável, reclinável em apenas uma posição, sem direito a regulagem de altura. Quem esbanja saúde “glútea”, a coisa fica ainda pior. A bola sobe e desce, repetidamente, entre gritos, pipocas, cervejas, comerciais e movimentos coletivos. Ao final, são mais 2h de retorno. Se não bastasse toda essa maratona, finalizada com um rastro em formação de formigas, o corpo também recente pelo evento, quando o coração acelera na emoção dos hinos e jogadas e quando o fígado e o bolso, simultaneamente, reclamam pelos produtos consumidos e pelos altos custos. Um latão de cerveja custou apenas R$ 13,00, enquanto o estacionamento custou R$ 40,00, mais R$ 5,00 do ônibus, por pessoa, no trajeto entre o estacionamento e o estádio. E não para por aí! A prova da caminhada com obstáculos, em torrencial chuva intermitente, me lembrou as provas físicas dos concursos militares e o concorrido paredão do BBB. Agora sei da importância da preparação dos jogadores, durante quatro anos, inclusive para os torcedores. Tirando a monotonia do tapete verde, o resto foi excelente. Muita gente fantasiada. Quase um pré-carnaval de Olinda. Confesso que não vi a “elite branca”, definida por alguns eclesiásticos petistas. Acho que a qualidade das cópias “semi-autenticas”, nas camisas quase oficiais, escondeu uma parcela dos torcedores e não destacou àqueles que podem pagar R$ 300,00 pelo status. Assim, vimos um só público. Diferentes apenas pela miscigenação. Uma mistura quase não identifica quando estamos nos referindo aos japoneses. E uma animação incomum na torcida martinense, com uma harmonia e sonoridade particular. Acima de tudo, muita paz e alegria!

Vencido o meu primeiro jogo, parto para a concentração. Dizem que alguém venceu. Eu venci a minha parte. Venci a impaciência em 06 horas dedicadas ao laser alheio e as boas companhias. Conheci e vivenciei uma nova experiência, no jogo do antes tarde do que nunca! Agora é hora de colocar o padrão na lavanderia e fazer as avaliações. No meu caso, o pisante levou uma surra do adversário. Foi jogo sujo! Meu fiel tênis semi- importado, quase perdeu um dos irmãos gêmeos. No último buraco encontrado, um deles resolveu chafurdar e não estava com a tração ligada. Foi quase um adeus. Juro que pensei, inclusive, em permanecer no estádio até o próximo jogo. Juro, que pensei na dificuldade do deslocamento e na expectativa de não ter tempo suficiente para retornar, em função de tudo, inclusive o engarrafamento de veículos e gente. Mas, tem uma coisa boa: mesmo assim, quero voltar! Acho que não vi tudo. E dizem que ainda falta muito. Estou pagando para ver. Já paguei e vou pagar muito mais. E viva a COPA!

Crônica social: O dia que gol virou “U”

Destacado

16585547Fernando Cássio, em 14 de junho de 2014

“U” elevado ao infinito, em ecos, não é vaia, é uivo! Ato de vociferar! Dirigir censuras e reclamações. Nem representa falta de educação, nem configura ação realizada por menor ou indivíduo incapaz. É coisa de gente grande, extremamente informada, inconformada e descontente! O que seria mais ofensivo para um país? Será que alguém acha absurdo e ofensivo, quando políticos se juntam em bando para assaltar o país, corromper os partidos, interferir no Supremo Tribunal Federal, alterar e interromper o andamento convencional de um julgamento em última instância, tentar manchar a honra de juízes e ministros, induzir investigações, não aceitar as regras da prisão ao ser julgado culpado, inventar doenças para não ir preso e induzir privilégios na cadeia? E porque agora acham uma sonora vaia e alguns apelidos corriqueiros, expressados em campo, anteriormente apenas dedicados aos juízes das partidas, serem tão ofensivos assim? Considerando os costumes sociais de outras terras, em que a forca, a prisão com serviços forçados, a autoflagelação, a destituição do poder ou a própria troca da vida pela honra, seriam únicas saídas aceitáveis para àqueles que cometem desvios similares, então, dadas as circunstâncias, não há porque enfatizar este ato, reduzindo a importância dos fatos que deram causa. Pelo contrário. No máximo, caberia embargos infringentes, para reanálise da trilha sonora. Aquele momento representa, na verdade, um grito abafado, entalado na garganta, quase um “gol”, que soa como uma métrica do sentimento nacional, daqueles de sã consciência, que se indignam e são contrários à corrupção, contra a formação de bandos, contra a injustiça, contra a falta de vergonha e a favor da vergonha alheia. Representa, também, a mão levantada em punho contra àqueles que agridem o povo e o povão, a coletividade, usufruindo das benesses do poder e do domínio da estrutura pública, colocando os interesses partidários e pessoais, acima dos interesse do país, da nação, produzindo políticas públicas com resultados pífios, conforme se verifica na porta dos hospitais e escolas do país, na insegurança que leva anualmente mais de 3 mil pessoas à morte, além de tantos outros serviços ineficientes à cargo do poder partidário temporal. Este som reverbera a reclamação de todos os brasileiros, sem distinção de classes sociais e raças. Esta expressão sugere, inclusive, identidade a outras expressões, de cunho mais latente: Socorro! Me ajudem! Peguem o ladrão! Referenda uma vontade coletiva das ruas, quando qualquer cidadão enxerga, diante de seus olhos sem crítica, a injustiça, a desconfiança e quando constatam a intensidade das irregularidades. Aos seguidores partidários, que louvam e são doutrinados, que santificam e se sacrificam por tais imperfeições, sugerimos repensar o quanto estão contribuindo para este processo. Todos nós, que vivemos no país, somos responsáveis pelo acertos, desacertos, conquistas e descaminhos. Entregamos nossas vontades e sonhos, em votos, nas mãos daqueles que se dizem preparados para governar. Entregamos a vontade coletiva da inovação, quando os governos que se sucedem têm a responsabilidade e a obrigação de empreender esforços no sentido de apresentar melhorias à luz da sensatez, democracia, progresso e respeito.

Quanto as decepções partidárias derivadas das sonoras vaias, creio ser um momento de cabível análise, não só pelo partido político da presidente. Este fenômeno social é natural, plenamente justificável, induzindo a algo que não está bem. Afinal, palmas foram feitas para atender o oposto.A partir delas, acalentamos expressar sentimentos positivos no futuro. Seja com quem for! Quem fez ou financiou. Palmas para o certo, para o empenho e para as conquistas. E vaias para os desacertos. Em igual intensidade aos erros cometidos. Porque aqui há educação, civilidade e não levamos ninguém à força. Só não me façam acreditar que existem “subversivos” ocupando lugares estratégicos, camuflados como “vaiadores” de carteirinha, infiltrados, com o intuito de denegrir, sem motivo aparente. Pois, essa estratégia já foi utilizada, por alguém em outrora, e uivo não é vaia. Mas vergonha, não! Vergonha não tem grau, intensidade. Vergonha é vergonha! Imagine um país com vergonha de si e com vergonha dos outros. Imagine como o resto do mundo observa um país que não consegue ultrapassar um momento impróprio, porque surgem corriqueiramente novas abordagens, mantendo o ibope da notícia ruim, que mancha as verdades e confirma a falta de credibilidade nacional. Imagine os jovens deste país elaborando caminhos baseados em fartas sustentações dessa ordem. Imagine a desordem! Imagine a vaia!